#MarinaPresente

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#PedaleComoMarina: Arte por Juliana Calheiros

 

Perda doída e difícil de processar a de Marina Kohler Harkot, socióloga e cicloativista de 28 anos, atropelada enquanto pedalava pela Avenida Paulo VI (zona Oeste de São Paulo), na madrugada de 8 de novembro, por um motorista de SUV, que fugiu do local sem prestar socorro.

Não a conhecia pessoalmente, mas pude acompanhar um pouco de sua atuação como estudiosa sobre mobilidade urbana.
Em setembro de 2016, publiquei, no blog, referência a um estudo então recém-divulgado (Mobilidade por Bicicleta e os Desafios das Mulheres de São Paulo), conduzido por Marina e colegas do Grupo de Trabalho de Gênero da Ciclocidade. Os dados colhidos na pesquisa pioneira viriam, mais tarde, a servir de base para sua tese de mestrado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Menina aplicada e comprometida com seus ideais, Marina Harkot vai fazer muita falta. Ainda mais nesses tempos de carrocentrismo revigorado sob o lema “Acelera, São Paulo”.
Abaixo, uma das muitas homenagens feitas à ativista:

Dias de Pauliceia

 

Organizada e intensamente

Inaugurando junho na mais positiva das disposições

Fotos por Adriana Paiva

Praça Carlos Gardel e Rua Curitiba: No Ibirapuera, vizinhas ao local onde me hospedo

Fazer com que meus planejamentos pré-viagem caibam nessas curtas permanências em São Paulo é sempre um desafio. Mas minha localização, no Ibirapuera – tangenciando os bairros Paraíso e Jardim Paulista -, torna tudo muito mais fácil. Meu preparo físico, preciso não ser modesta, também tem lá sua cota de contribuição na maneira como desfruto essas minhas temporadas paulistanas. Embora costume priorizar o deslocamento por metrô e pegue táxis, aqui e ali, raramente me furto a uns bons minutos de caminhada. Pelo contrário. Flâneuse de longa data que sou, explorar a pé as cidades que visito (por mais que eu já as conheça) costuma ser um dos pontos altos de minhas viagens.

As rotas a considerar são muitas: abastecer-me de notícias locais na banca da Praça Carlos Gardel, seguir rumo ao Parque Ibirapuera – de bike ou a pé. E lá, escolher: Museu Afro Brasil? Ou andar um pouco mais até o MAM? Nessa viagem, contudo, minha prioridade era visitar a mostra “Modos de Ver o Brasil – Itaú Cultural 30 Anos”, um recorte do acervo artístico do Itaú Unibanco, com mais de 750 obras distribuídas pelos quatro andares da Oca.

Oca Parque Ibirapuera

Parque Ibirapuera: Colegiais na entrada do Pavilhão Lucas Nogueira Garcez / OCA, espaço expositivo projetado por Oscar Niemeyer; quinta-feira, 1º de junho

Mas, dependendo do planejado, também posso pegar o caminho inverso: subir a Abílio Soares, desviar pela Travessa Tutoia, galgar a Teixeira da Silva até a Gêmel, onde costumo fazer uma parada estratégica para um café, e dali seguir até desembocar na Avenida Paulista. E uma vez lá, quem me conhece sabe bem, o céu é o limite. Dessa feita, no entanto, a estrela era a Japan House, inaugurada no início de maio.
Enquanto a tarde caía, fiz uma escala ligeira na Casa das Rosas, a caminho do Itaú Cultural, onde a visita pautada era à “Ocupação Conceição Evaristo”.
Terminei a noite na Paulista dando uma chegada na Reserva Cultural, onde acontecia o coquetel de abertura da 6ª Mostra Ecofalante.

Fotos por Adriana Paiva

Japan House:  A instalação do artista Chikuunsai IV Tanabe integra a mostra “Bambu – Histórias de um Japão”  (até 9 de julho) 

Reserva Cultural

Reserva Cultural: 6ª edição da Mostra Ecofalante teve abertura para convidados na quarta-feira (31/5). Programação com filmes de temática ambiental vai até 14/6

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|  + SÃO PAULO:  No blog e no Instagram – pela hashtag #adrinascidades  | 

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Outras notas paulistanas

 

Diário ilustrado

Junho de 2016 * Via Instagram

Bairro do Ibirapuera foto Adriana Paiva fotos bairros paulistanos

Chamam-na de “cinzenta”. Eu, de meu lado, nunca me ressenti de falta de verde em São Paulo. Em Moema ou no Campo Belo, bairros onde morei, como aqui, no Ibirapuera, onde estou hospedada agora, o que não falta são jardins e praças, como esta simpática Carlos Gardel, mantida, com muito esmero, pela  APRACE, ‘Associação dos Amigos das Praças da Rua Curitiba e Entorno‘ (Sexta-feira, 24/6).

Ciclovia da Paulista Foto por Adriana Paiva

Também eu, enfim, pedalei pela Paulista. Não poderia voltar para o Rio sem tê-lo feito. Não foi sobre uma “laranjinha”, como eu teria querido, mas valeu ! (Quinta-feira, 23/6)

SP

Fruição artística se aprende é de pequeno. Crianças da escola Jardim São Luiz I durante visita à exposição “Histórias da Infância”, hoje à tarde, no MASP (23/6).

Ainda sobre deslocamentos

E do meu perfil, no Facebook

Moema Pássaros

Sampa, SP: De uma caminhada por minha antiga vizinhança, em Moema, onde morei entre 1999 e 2005.


Já que falávamos em trânsito (cada vez mais difícil) nas grandes cidades: perdi as contas das vezes em que fiquei engarrafada aí, dentro de táxis a caminho do Aeroporto de Congonhas (distante poucos quilômetros). Uma das principais vias do bairro, a Avenida Rouxinol fica na chamada rota dos aviões. Eu morava na Tuim, uma das transversais.
Ainda sobre o assunto deslocar-se a pé. Não sei por que, mas também me veio à memória a época em que, residindo em Brasília, um de meus trajetos preferidos era sair do meu apartamento, na 112 Sul, e caminhar até o Templo Budista da Terra Pura, na 316. Cumprir longas distâncias a pé nunca me foi problema. Tanto quanto chegar a salvo aos meus destinos, sempre me importou poder me deter nos detalhes do que eu via pelo caminho.

Outros recortes da Pauliceia

De revisitas
 

*”…O errante voyeurístico que descobre a cidade como uma paisagem de extremos voluptuosos. Adepto das alegrias da observação, connoisseur da empatia, o flâneur acha o mundo ‘pitoresco’ “

Avenida Paulista por Adriana Paiva

Rasgos de amor na São Paulo da garoa. Beijos apaixonados em plena Avenida Paulista.

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Moema Pássaros. São Paulo

De uma volta pela minha antiga vizinhança, em Moema. Flores crescendo, teimosa e harmoniosamente, para além dos domínios de edifício na Avenida Macuco, próxima à Tuim, outra rua com nome de pássaro e onde morei entre 1999 e 2005.

Susan Sontag em Sobre Fotografia, Companhia das Letras, 1983.

 

Fotos por Adriana Paiva ©


Lanchonete da Cidade

E quando no Rio ?

 

Lanchonete da Cidade
Unidade da rede em Moema : Decoração com elementos das décadas de 50 e 60

Outro estabelecimento surgido em Moema em época em que eu já havia me mudado de lá. E, coincidentemente, na mesma Macuco do Empório. Comecei a frequentar a  Lanchonete da Cidade  ainda na filial da Alameda Tietê. Tanto por conta da ambientação, inspirada nas décadas de 50 e 60 – projeto da dupla de arquitetas Carla Caffé e Carol Tonetti – quanto pelas preciosidades escondidas no meio de um cardápio que se esperaria destinado sobretudo a carnívoros.

No final de 2008, quando fui a São Paulo para realizar uma cirurgia, acompanhada de meus pais, achei que seria interessante levá-los para conhecer a filial de Moema. Além de ter morado com eles bem perto dali, ambos foram jovens na década de 1960, época na qual o projeto de arquitetura da rede também foi buscar inspiração.

Lanchonete da Cidade - Opção vegetariana - Para quem é vegetariano, opções

Na filial dos Jardins, à espera dos chips de batata doce que, em 2008, já não eram mais servidos

Sem comer carne desde os 15 anos de idade, minhas pedidas na lanchonete ainda hoje variam entre o hambúrguer Quitandinha (pão preto com mix de cogumelos, legumes grelhados, especiarias, tomate caqui, rúcula e pesto de manjericão) e a incomparável batata rústica (lamentavelmente, os chips de batata doce já não eram servidos quando estive lá em maio daquele mesmo ano). Para coroar com alguma doçura (e nenhuma culpa) a série de extrapolações minha escolha costuma recair sobre a taça Manhattan e sua combinação de sorvete de chocolate com calda de mesmo sabor, brownie e amêndoas.

Outras casas do grupo paulistano Cia. Tradicional de Comércio  já chegaram ao Rio, a exemplo da Pizzaria Bráz que aportou no Jardim Botânico em 2007 e, dois anos depois, já abria uma segunda unidade na Barra da Tijuca. E do Astor que, em 2010, inaugurava no Arpoador sua primeira filial carioca no mesmo ponto onde durante anos funcionara o Barril 1800.

E quando será a vez da Lanchonete da Cidade aterrissar em plagas cariocas? Há alguns meses é sabido que o grupo empreende buscas por pontos para o estabelecimento em bairros da zona sul.
Enquanto isso, no Facebook… um punhado de ardorosos e afoitos fãs da lanchonete já se incumbiu de criar página onde reivindica inauguração urgente da franquia carioca da rede.

Metrô – Para a ‘gente diferenciada’ de todos os matizes

Moema

Moema: Estação do Metrô prevista para 2015

A linha de Metrô que atenderá Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo, tem previsão de ficar pronta em 2015. As desapropriações já ocorrem há algum tempo e os tapumes já estão lá — acima, na esquina das avenidas Ibirapuera com a Rouxinol.

Quando morei em Moema, entre 1999 e 2005, teria adorado contar com essa que é uma das mais cômodas formas de locomoção dentro do perímetro urbano. Prescindindo, assim, mais frequentemente, de pegar táxis ou de tirar meu carro da garagem — veículo este que eu já mal usava em idos de 2004, dado, sobretudo, o enorme desgaste envolvido em dirigir no trânsito de SP. Lembro, a propósito, da imensa rejeição por parte dos moradores locais à construção de uma estação de Metrô naquela vizinhança, sob argumentação (obtusa) semelhante à partida de certa ala dos residentes de Higienópolis, que, em polêmica recente, alegavam que tal construção aumentaria o afluxo de pessoas de outros bairros (a tal ‘gente diferenciada’), levando as mazelas dessas para a região e, em última análise, desvalorizando as propriedades do entorno. Lamentável que pela visão estreita de uns — e com espantosa frequência — sejamos todos onerados.