#TBTs em série

ANO II

Também direto do Instagram

carioca off-Momo cariocas atípicos Rio de Janeiro

Esse menino me representa. Explico. O período em que mais gostei de Carnaval foi na infância. Tenho ótimas lembranças de carnavais brincados com minha irmã, nos bailes vespertinos de clubes de Brasília e do Rio, sempre fantasiadas com esmero por minha mãe ou por minha avó. Da adolescência para cá, no entanto, meio que corroborando minha fama de carioca atípica, meu entusiasmo para a folia de Momo passou a variar bastante de ano a ano. Principalmente depois que voltei a morar no Rio, em 2008, houve carnavais em que me senti o garotinho nessa foto — feita num pré-carnavalesco na Cidade das Artes. A sensação de peixe fora d’água parece vir se avolumando desde que inventaram que o Carnaval tem que durar de três a cinco vezes mais do que aqueles 4 dias aos quais havíamos nos habituado.

Em 28 de janeiro …

Fora Collor geração caras pintadas Fora Bolsonaro corrupto Ele não ForaBolsonaro EleNão presidentes corruptos impichados impichado estudantes de Jornalismo caras-pintadas UFMS universidade federal do mato grosso do sul impedimento deposição presidente da República manifestação manifestações

#TBT nostálgico e, de certa forma, oportuno. Agora, que a palavra ‘impeachment‘ volta a andar nas cabeças, andar nas bocas. Inevitável lembrar de mim jovenzinha, estudante de Jornalismo, ao lado de amigos, colegas e professores, clamando pela deposição de um outro presidente da República, nas ruas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul…

adolescentes estudantes secundaristascaras pintadas

É bem verdade que alguns de nossos contemporâneos não tinham muita noção do que estavam fazendo ali. Minha turma, entretanto, não tinha sombra de dúvida.
Algo daquele período de que também sinto falta é do quão mais combativa era a nossa indignação.

* * *

Geografia de afetos

Entre as andanças, a troca de cartas

E por que mesmo 5 vezes Brasília?

Dedicada às costumeiras arrumações de final de ano, lembro, com alegria, que, diferentemente dos cartazes e programas de teatro, que vi serem extraviados em meio às nossas mudanças de cidade, parte preciosa de meus arquivos epistolares segue cuidadosamente armazenada.
Vários desses cartões, cartas, telegramas (e envelopes) já estavam escaneados havia algum tempo – previdente que às vezes sou. Cheguei, aliás, a publicar algumas reproduções no Periplus, no início dos anos 2000.

Correios - Exército comando pai Antonio Augusto Apartamentos na 209 Sul na 112 Sul e na 103 Norte Do Pará e do Mato Grosso do Sul Débora Sena Amambai 17° RC Regimento de Cavalaria Fukumi Ikeda nissei Amazonia Belem Pará Amazônia Mariliz Romero comandou comandos 18° Batalhão Logístico Blog MS filha filhos de militar Forças Armadas militares Ensino escolas colégios particulares estudei estudos Primeiro Segundo Grau Adriana Ana Cristina Escola Marista Integral La Salle Colégio Eduardo Guimarães educação

Pelo correio. Para 3 de meus endereços em Brasília: Cartão de Natal enviado de Amambai (MS) por Débora, amiga que me conhece desde criança – nessa época, eu morava na  209 Sul. Em 1989, quando residíamos na 112 Sul, cartão de Ikeda-san, colega de minha irmã nos tempos de Colégio Marista (em Belém), acabou virando amiga de nós duas;  e na 103 Norte, em 1993, remessa da amiga Mariliz, que conheci em Campo Grande (MS).

Passando os olhos por toda essa correspondência, veio batucar um assunto sobre o qual já falei aqui en passant: por que, afinal, depois daquela primeira vez, voltamos a morar em Brasília em outras quatro ocasiões?
Chamei meu pai  para conversar. Sabia das razões, em linhas gerais, mas queria ouvi-lo falar dos detalhes. Segundo ele, a prioridade era que eu e minha irmã tivéssemos a melhor formação escolar possível – estudamos, de fato, em ótimos colégios – e crescêssemos numa cidade segura e tranquila – o que Brasília de certa forma foi, em nossos tempos de infância e pré-adolescência. Junto a isso, pesou o fato de que, para lá também costumavam pleitear retorno os seus amigos mais próximos. Muitos dos quais conviveram com ele ainda antes de seu ingresso na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).

Confesso que, nesse aspecto, tenho uma certa inveja de meus pais. Boa parte daquelas amizades que eles começaram a cultivar na juventude eles preservam até hoje.
Já eu, certamente por ser mais introvertida (e por ter feito tantas escolhas heterodoxas), vi, ao longo dos anos, muitos dos meus laços de amizade se afrouxarem e se perderem pelo caminho. Perdi, por exemplo, boa parte de meus contatos de Belém e de Olinda. Em contrapartida, ainda mantenho ligação com várias das pessoas com quem convivi no Mato Grosso do Sul e em Brasília e com outros filhos de militar que, como eu, também não eram muito de frequentar o meio.
Admito que, se o grau de intimidade com algumas dessas pessoas variou tanto ao longo dos anos, talvez tenha faltado mais investimento de minha parte, no sentido de criar as situações para revê-las.

No caso de meus pais, as circunstâncias para manter as relações aquecidas parecem estar sempre se renovando, vide a penca de reuniões – sob motivações as mais variadas – das quais eles participam a cada ano.
Eles me contam histórias curiosas sobre esses eventos. De um desses encontros anuais, a propósito, o do Colégio Militar (que meu pai cursou parte em BH, parte no Rio) costuma participar o Fernando Bicudo, de quem creio ter ouvido falar pela primeira vez na década de 1990, por sua atuação como diretor e produtor teatral.
Dessa turma deles, relata meu pai, outros desistiram da carreira militar e incursionaram por diferentes profissões – casos do cantor Ivan Lins e do falecido ator Luiz Armando Queiroz.

Piraquê Lagoa - Reunião anual do Colégio Militar Turma 1958 1964 . Filha filhos de militar Turma do meu pai - CMRJ Humaitá - militares Coronel General coronéis e generais Heleno Esper Arthur Souza filho Montanha oficiais superiores Exército Cavalaria colegas da AMAN Academia Militar das Agulhas Negras

Reuniões anuais da turma de meu pai no CMRJ: na foto do alto, comemoração no Clube Piraquê, em 2014. Acima, reunião de 2016; segurando a bandeira, no centro da imagem, Fernando Bicudo

Voltando àquele meu esforço de reaver e manter afetos, é claro que, à maneira do que ocorreu com muita gente que conheço, as redes sociais (primeiro o Orkut, depois o Facebook) cumpriram seu papel nesse propósito. Mas, fale eu de amizade ou do valor que dou à interlocução, jamais hei de esquecer que, muito antes delas, havia o ritual da troca de missivas.

Outros vinte

 

Acabo de publicar no meu perfil do Facebook

juventude estudantes secundaristas universitários ruas protestos manifestações
“Fora, Collor”: Manifestação de estudantes no centro da capital sul-matogrossense

Lembrando que, há exatos vinte anos e um dia, em 29/9/1992, tinha início o processo que culminaria no impeachment do então presidente da República Fernando Collor de Mello. E eu estava lá, entre os caras-pintadas, jovenzinha e transbordante de otimismo.