Como na Era Pré-Facebook

 

Ainda as notícias do clã

E, dessa feita, sobre dois de seus mais irrequietos integrantes

Família

Álbuns de família: Tiago, meu sobrinho, no auge de sua paixão por escalada. Thiago, meu primo, surfando na Indonésia

 

De um lado, Tiago L. de Paiva D. da Fonseca, meu sobrinho-afilhado – filho mais velho de minha única irmã. De outro, Thiago Di Gregorio Paiva, o filho mais novo do irmão de meu pai – meu primo de primeiro grau, portanto.
Com o espaço de mais ou menos quinze dias, entre um evento e outro, fiquei sabendo que meu primo, diretor de arte da BBDO Proximity, em Düsseldorf (onde mora, atualmente), faturava dois Leões e Prata no Festival de Publicidade de Cannes, e que meu sobrinho, recém-chegado em Santiago para o Start-up Chile, recebia, juntamente com colegas de faculdade, as boas-vindas de Luís Céspedes, Ministro de Economía, Fomento y Turismo, na cerimônia de abertura do programa, na Universidad de San Sebastián. E vibrei, ainda mais, com a notícia de que Tiago, não só já encontrara apartamento para morar, como já vinha deslocando-se para as reuniões de trabalho por meio de bicicleta.
Curioso o modo como, por eu estar fora do Facebook há meses – e por ainda ser um tanto reticente em relação ao WhatsApp – passei a receber (e, sobretudo, a curtir) as notícias referentes à minha família. Sensação de resgate de um certo sabor na comunicação que os excessos típicos das redes sociais já me tinham feito esquecer.

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Chile


Em tempo: Sobre o Start-up Chile, programa do qual meu sobrinho Tiago, estudante de Engenharia da Computação na PUCPR, participa com a UNiO, empresa criada com colegas de faculdade, reportagem publicada em 18/7, no jornal chileno La Tercera. 

 

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Sábado para não ser esquecido

Porque hoje acontece a 4ª Grande Feira de Adoção de Cães e Gatos

maratona de adoção

Maratona de adoção: Registros feitos na terceira edição da feira, em novembro de 2015

maratona de adoção

Estive na feira anterior e saí de lá admirada da quantidade de pessoas interessadas em levar para casa um bichinho de estimação. Vi famílias saírem do Promoinfo, aliás, com mais de um animal adotado. Fico feliz ao constatar que essa é uma tendência que vem crescendo, tanto no Brasil, como em outros países.

Não nos deve desanimar o fato de que ainda haja tanta gente preferindo comprar animais em canis ou petshops. E, amiúde – abissal falta de consciência! -, seguindo modismos.  A vizinhança onde moro é farta em exemplos desse tipo de comportamento, vide o desfile cotidiano, de uns três verões para cá, de buldogues franceses e lulus da Pomerânia, entre o Mandala, o Novo Leblon e o Rio Design Barra. 
Mas, enfim, se cultivar aparências está longe de ser sua prioridade na vida, vá lá. Tenho certeza de que você não vai sentir que desperdiçou o sábado de sol.

Ah, sim, e para adotar um ou mais animais das ONGs presentes ao evento é necessário ser maior de 18 anos, apresentar RG, CPF e um comprovante de residência.

+ Local: Promoinfo Barra. Endereço: Avenida das Américas, 6700. Data: Sábado, 9 de abril de 2016. Horário: 9h às 17h.  

 

Rio, 19 de março de 2016

Tchau, verão

Lamento não poder dizer que sentirei sua falta

Vizinhança no Novo Leblon

Do Instagram: Na balsa do Novo Leblon, voltando para casa depois de longa caminhada

 

Evitando confrontos desnecessários

Da série ‘Pensamentos que não quiseram calar’

À espera do momento mais apropriado para dizer àquela pessoa com quem sempre mantive diálogos cordiais, mas sem profundidade, que, se houve alguma vez em que votei no PT,  crendo, firmemente, que fazia a melhor das opções, essa  única vez  foi quando meu voto ajudou a eleger Cristovam Buarque governador do Distrito Federal.

 

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Desconectados. Com muito prazer

Matéria de minha autoria. Para a Revista da Cultura

Edição 99 / Outubro de 2015

 

Ilustração por João Montanaro

Reportagem e texto por Adriana Paiva. Ilustrações de João Montanaro.

Eles ficam tão bem longe de seus telefones celulares e sem internet que é comum serem vistos como excêntricos. Mas, atentos às consequências da hiperconectividade, o que eles buscam é o uso consciente das vantagens do mundo digital.  Para ler a reportagem na íntegra >> clique aqui.

Desligou o vozerio e foi ao cinema

 

Sobre dar um tempo nas redes sociais

 

Vozes da multidão
 

Até onde consigo lembrar, esta deve ser a quinta vez em que desativo minha conta no Facebook. Se, em todas as vezes anteriores, o intuito principal era me afastar de distrações, agora, o motivo não é menos premente: manter distância de tudo aquilo que me traga aborrecimento sem uma equivalente contrapartida em termos de prazer. Em todos os ensejos em que saí da rede social, temporariamente, ou eu tinha trabalhos a entregar e lidava com deadlines rigorosos, ou eu não andava muito bem de saúde. Mas foi sempre a conjunção desses e outros fatores, o que, ao final, impulsionou minha decisão.

Ao contrário das outras saídas, no entanto, esta tem desencadeado uma série de reflexões úteis. É com certo pesar que começo a admitir, por exemplo, que aquela minha ideia de ter entre meus contatos nessa rede social, especificamente, pessoas com formação, temperamento e filosofia de vida diversos dos meus já não me parece tão interessante (ou tranquila) quanto um dia foi. Suponho que seja natural que, depois de uma certa idade, passemos a nos questionar se não seria mais adequado (saudável, sobretudo) buscar uma aproximação maior daqueles que pensam de maneira afim à nossa. Se eu fosse uma pessoa de perfil e trajetória menos complexos, talvez essa também fosse uma meta a ser seriamente considerada. Mas não sou. Eis aí a origem de boa parte de minhas inquietações.

Falando ainda em Facebook: utimamente, o que vinha sobressaindo ali, para mim, eram os ânimos acirrados por motivação política e a postura dos que têm opinião formada sobre todos os assuntos e precisam ter sempre a última palavra acerca de cada um deles. Dito de outro modo, o falatório estridente, a verborragia oca. E tudo isso, quando não me exaspera às raias do insalubre, apenas me entedia e cansa.
Como acontecia, aliás, na época das listas de discussão. Recordo do dia, a propósito – ali, por volta do início dos anos 2000 -, em que me descadastrei da primeira das dezenas de listas das quais então participava. Nossa! Que prazer maravilhoso e nunca experimentado era aquele? Tão libertadora foi a atitude que, depois do abandono dessa lista, como que em efeito ‘frenesi-dominó’, acabei me desinscrevendo de todas as outras. A Internet, se me revelava ali, não era o melhor lugar para o embate de ideias.
 

***

Mas voltando ao Facebook, quer ver situação que também decepciona? Descobrir que os tipos humanos que por ali transitam, com seus dedos em riste, podem ser – mais facilmente do que eu quereria admitir – divididos em categorias.
Comecemos pelos antipetistas monocórdicos, aqueles que colecionam erros pregressos e presentes de Lula, Dilma e correligionários, para incansáveis postagens diárias, sempre, é claro, embebidas em muita virulência. Não nego que acertem em várias de suas críticas, mas falta-lhes mínimas compostura e elegância ao externá-las; isso, quando o que lhes falta, acima de tudo, não é humanidade.

Mantendo uma linha equânime em minhas elucubrações, não poderia deixar de citar uma outra espécie, também com muitos exemplares na rede social, a dos petistas-avestruzes. Esses parecem viver em um universo paralelo, onde as conclusões do Mensalão e da Lava-Jato não passam de um complô burguês amplificado por uma entidade obscura a que eles costumam chamar de PIG. Nesse planeta, de ofuscante cor rubra, os assaltos a Petrobras nunca ocorreram, nem vultosas quantias foram desviadas para financiamento de projetos de poder.

***

Neste ponto, vou preferir deixar a sempre espinhosa seara da militância política em redes sociais para passar àqueles personagens, digamos, com preocupações mais mundanas. Farei-o com uma homenagem aos alucinados por “torrents”. Esses, se formos analisar friamente, também têm seu quê de militantes, uma vez que, ostentando hábitos sedimentados, raramente se furtam a pontificar sobre os hábitos alheios. Um exemplo: quando fazem questão de deixar claro que acham o cúmulo do desperdício você pagar pela assinatura de “centenas” de canais de TV a cabo, quando poderia, simplesmente, baixar “na faixa”, os filmes e séries “de fato, essenciais”.

Barbaridade. Três categorias listadas e já estou exaurida. Você, que me leu até aqui, certamente dirá que acha terrível “reduzir” seres humanos dessa maneira. E eu vou concordar. Mesmo sabendo que há quem mais facilmente se preste a essas reduções.
Quer me parecer, entretanto, que está claro que o que aqui escrevo é um desabafo. Menos evidente, talvez, seja o fato de que as críticas que faço têm como principal alvo os ferozes inimigos das nuances e dos meios-termos. Os radicais, em suma.

Avalio voltar ao Facebook uma hora dessas. Afinal, também mantenho ali contato com gente de quem gosto muito. Mas espero que, ao voltar, esteja apta a me estressar menos do que me estressei até outro dia.

 

***

 

 

O que restou do Flickr ?

 

Reflexões que vêm daqui

 

Em meio à clara deterioração do aspecto social do site de compartilhamento de imagens

Flickr Adriana Paiva

 

Que terra inóspita virou o Flickr. Renovei minha conta PRO apenas para não ter qualquer preocupação sobre a quantidade de fotos que me aprouvesse publicar ali – embora nem precisasse, dado o espaço (surreal) de 1 TB a que qualquer usuário tem direito. Já sinto que joguei dinheiro fora. Sensação que se adensou, dia desses, depois que, sob uma foto que publiquei, outro usuário deixou um extenso e confuso texto de cunho alarmista. Primeiro, advertindo-me a assinar minhas próprias fotos (algo que, invariavelmente, faço). Depois, pretendendo me informar que as mesmas poderiam ser utilizadas para a criação de “perfis fake” e dando a entender que eu já teria sido vítima de um desses golpes. Escrevi-lhe, inbox, pedindo para que fosse mais específico e ele não respondeu. Atitude que só fez aumentar minhas suspeitas sobre suas reais intenções ao deixar, em minha página, um comentário enorme, repleto de links, e naquele tom paternalista-mandão – comentário esse, devidamente removido.

Lembrava, vagamente, do nome do autor da pichação histérica, de uma época em que fui mais assídua no site, e resolvi saber algo mais sobre essa figura que age como se fosse o secretário geral de segurança do Flickr. Descobri que é contador de profissão e que “administra” diversos grupos com temas relacionados ao Rio de Janeiro. Grupos, aliás, que ele toca como se fossem feudos e com aquela ilusão de poder típica dos coronéis do cotidiano: se não acatam as minhas regras, docilmente, e não rendem loas às minhas fotos, neste grupo, suas imagens não entram ! Postura, afinal, congruente com a de um sujeito que, no texto introdutório de seu perfil, usa citações de Cartier-Bresson e do papa Francisco e, não sendo bastante a presunção, ainda orienta seus contatos a, quando deixarem comentários em suas fotos, a fazerem o favor de não recorrerem a clichês.

Nas minhas lembranças de habitué antiga do site, lá pelos idos de 2006, havia bem menos egolatria e muito mais cordialidade do que tenho visto agora.

 

 

Leitura em trânsito

 

#Tem mais gente lendo

 

Clique sobre a imagem para ampliá-la

Do Metrô de SP: Para o Instagram

Gosto muito dessa série de flagrantes colhidos pelo jornalista Sergio Miguez no Metrô de São Paulo. Frequentemente, penso nela quando ando de Metrô, aqui, no Rio. Entre estações do Centro, Botafogo e Ipanema, por onde mais circulo, é muito raro que eu veja pessoas lendo outra coisa que não as telas de seus celulares. Por que, nessas circunstâncias em especial, os paulistanos dedicam seu tempo ocioso à leitura de livros, mais do que o fazem os cariocas, é algo que há muito tempo me intriga.

Modos de ver

 

Com a deixa de uma crônica

Via meu perfil no Facebook

Sobre ter 40 anos

Escala optométrica de Snellen: Nos consultórios oftalmológicos, utilizada para mensurar acuidade visual

Nasci míope. Passei por todos os percalços pelos quais passa uma criança obrigada a usar óculos muito cedo. Aí, veio a adolescência. E com ela a descoberta do incremento que significava para a autoestima um bom par de lentes de contato. Seguia relativamente feliz, do alto de minha altíssima miopia, até virar os 40…

Agora, essa história de óculos para perto, óculos para perto com lentes de contato, óculos para longe, óculos escuros com grau, óculos escuros sem… E pensar que um dia fui a “introdutora oficial” de linhas nas agulhas de costura de minha avó. A pessoa que enxergou o ínfimo do ínfimo do ínfimo até uns 39… assim que saiu da casa dos 30, deixou de enxergá-lo.

E cirurgia para redução de miopia, apesar de cedo aventada, nunca me foi uma possibilidade (por complicadas questões éticas). Mas sendo muito franca, meus problemas de visão nunca me impediram de fazer nada (absolutamente nada), que eu, verdadeiramente, quisesse.


De marchas e de carnavais

 

Rio de Janeiro, 2014

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Avenida Rio Branco

Avenida Rio Branco: Bloco de evangélicos

Não. Não se trata de um recorte da Marcha da Família com Deus e o retrocesso. Mas não fica muito longe disso. Esse foi um encontro de evangélicos da igreja Vida Nova, na Avenida Rio Branco, no começo de março, em plena terça-feira de carnaval. Com o desfile do chamado “Bloco Cara de Leão”, a igreja conseguiu reunir na avenida centenas de seguidores. Algo que, para minha também surpresa, já acontece há pelo menos 17 anos. Li um dos fundadores da Vida Nova, o pastor Ezequiel Teixeira, dizer em entrevista que a existência do “bloco evangelístico” não deve ser interpretada como apoio de sua igreja ao carnaval, já que essa é, em seu entender, uma festa “tremendamente maligna”. Afirmação que ganha contornos um pouco mais inquietantes quando se sabe que a ‘agremiação’ criada por ele, no final da década de 1990, apresenta-se deste modo, em sua página na Internet: ”Bloco Cara de Leão – Evangelismo estratégico”. Pois é também assim, travestida de iniciativa alegre e inofensiva, que esse tipo de manifestação ganha cada vez mais adesões. Medo. Em caixa alta, para que não restem dúvidas: MEDO.

 .  .  .  .

Meu carnaval também , aqui, e acolá.

 

Inspirada pela visita do Papa Francisco

 

Do meu perfil no Facebook

 

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Paraty ao entardecer: Uma das quatro igrejas do Centro Histórico


Posso dizer que até as vésperas de entrar na adolescência fui criada dentro dos princípios do catolicismo. Quer dizer, “criada”, em termos, já que nem Primeira Comunhão eu quis fazer. Para tremendo desgosto de minha avó, aliás, com quem aprendi todas as orações básicas. Meus pais, ambos nascidos em 1945, não são, exatamente, pessoas liberais, mas também nunca me impediram de fazer o que julgo terem sido as minhas mais importantes escolhas. Foi assim, por exemplo, com meu desejo de não cursar catecismo e, consequentemente, estar apta a fazer a Primeira Comunhão. E foi assim também quando, aos 16, 17 anos, resolvi pedir o “sannyas”, ingressar na seita do Bhagwan Shree Rajneesh (atualmente conhecido como Osho) e, para tal (por ser menor), precisei da assinatura deles no documento que seria enviado à Poona, Índia. Aceita como discípula, mudei de nome (para Ma Shanti Adriana) e passei a me vestir (apenas) com cores derivadas do vermelho. Isso tudo, vejam bem, ainda adolescente e vivendo sob o mesmo teto que meus pais e minha irmã.

De lá para cá, experimentei outros tantos credos, desilusões em quase igual medida e, hoje, não professo qualquer religião. Mas bem gostaria de ter apenas uma fagulha da fé desses peregrinos que passaram pelo Rio de Janeiro nos últimos dias.

 


2012 revisto – Sob alguns possíveis ângulos

 

Do meu perfil no Facebook

 

The Newsroom - HBO

Emily Mortimer, produtora de telejornal em The Newsroom: Entre melhores estreias dos canais pagos

O ano e as séries de TV. Noto várias lacunas nessa lista, mas concordo com algumas das avaliações. Não gostei tanto de “Girls”, mas fui irremediavelmente fisgada por “The Newsroom”. Já “Veep”, outra estreia da mesma HBO (não citada na matéria), traz uma Julia Louis-Dreyfus mais cínica e quase tão engraçada quanto sua personagem em “The New Adventures of Old Christine”. Sobre “Grey’s Anatomy”, eu já não acompanhava a série com o mesmo interesse que tive pelas primeiras temporadas, mas decisivo mesmo para meu completo desencanto foram os episódios relativos ao acidente aéreo em que se envolve boa parte da equipe médica do Seattle Grace Hospital. Se Shonda Rhimes não tinha ainda ousado exageros “à la Gloria Perez”, foi aí que ela se superou. Também acho que a série já rendeu o que podia.

 

Piores de 2012

 

Outra das muitas listas de “Melhores & Piores”, publicadas em sites e na grande imprensa, esta acima vem sendo veiculada no Facebook por comunicadores envolvidos com mídias sociais.

O que deixarei para trás em 2013 ? Bem, MSN é desistência antiga. Vampiros ? Afora por um clássico ou outro rodado antes dos anos 2000, o tema, digamos, nunca me emocionou. Saga Crepúsculo e True Blood ? Tudo mais cafona do que o meu senso estético poderia suportar. Zumbis serão a próxima onda ? Por causa de “The Walking Dead”, suponho. Que seja, continuarei passando ao largo. Pois é, e bigodes ? Achava que meu pai ficava bem com eles ; sinto falta. Penso que barba, igualmente, deixa-o muito bonito. E o que aí ainda merece ser considerado ? Tá bem, admito, adoro brincar com hashtags. Sobretudo, no Instagram. Mas pelo que me conheço, a brincadeira deve perder a graça…logo ali. Resta-me desejar, então, que os modismos de 2013 cheguem e partam antes de nos deixarem saturados.

 

OUTRAS LISTAS:


 

De Boos e de outros Lulus

Ou dos modismos (quase) inofensivos

 

Boo e seu cotidiano de muso das redes sociais

Boo tem perfil no Facebook: Gracinhas divididas com mais de 5 milhões de seguidores

 

Assim como tem gente que chama papagaio de pano de “Louro José”, também tem quem chame Lulu da Pomerânia de Boo. Ok, cada um chama seu bicho de estimação como bem o pretenda. E não vamos aqui discutir modismos. Mas convém que se dê aos bois, digo…às raças de cães, os seus nomes certos.

Eu e minha irmã tivemos uma Lulu da Pomerânia quando crianças — ganha, aliás, da tia de minha mãe que, durante anos, criou a raça em seu canil. O Facebook estendeu para além de seus domínios a crença de que Boo é uma raça “nova” de cachorro. E não é. Boo é o nome do Lulu da Pomerânia de uma funcionária da rede social. Em 2009, ela (nada inocentemente, ao que parece), criou, no FB, uma página para seu cão (bonitinho e de tosa diferente do habitual). Não levou muito tempo para que o perfil, naquele conhecido efeito ‘rastilho de pólvora’, recebesse milhões de seguidores, fazendo de Boo uma “figura pública” tão popular que, não bastasse ganhar réplica em pelúcia e ter sua vida contada em livro, alçou, por tabela, a raça Lulu da Pomerânia (também conhecida como Spitz Alemão) a uma das mais cobiçadas do planeta.

Enquanto isso, aqui, aqui e aqui…dezenas de cães aguardam ser levados para casa por alguém que veja neles mais do que fofura.

Foto: J.H.Lee / Divulgação

 

 

Pai e mãe, ouro de mina

 

Os filhos que queremos (e podemos) ser

 

Jornalista Eliane Brum. Foto da revista Época

 

Em sua coluna da semana, Eliane Brum explora um tema que, vez ou outra, volta a revisitar sua escrita: como viver a inversão de papéis de filhos cuidados, que um dia fomos, e passarmos a filhos responsáveis por nossos pais? Ainda não vivo a situação, uma vez que os meus não chegaram aos 70 (são ambos de 1945), mas já me inquieto ante às possibilidades. Imagino que todos esperemos dar aos nossos pais nunca menos do que eles nos deram. E refiro-me, sobretudo, a carinho, acolhimento, segurança.

 

Foto: Arquivo/Época

 

Fumando (já não) espero

 

Com as deixas de uma crônica, um livro e algumas reportagens

 

Mad Men

Mad Men (HBO): Joan Holloway, personagem que, na série de TV, é interpretada pela atriz Christina Hendricks

Também eu já me vi inebriada por essa aura de glamour que o hábito de fumar, há não muito tempo, ainda desfrutava. Fumei, aproximadamente, entre os 16 e os 26 anos. A despeito de uma bronquite asmática, apesar da barulhenta oposição de meus pais — na frente de quem, a propósito. nunca ousei acender um cigarro.
Um belo dia, exatamente aos 26, em meio a preocupações típicas de uma mulher à beira dos 30 e sentindo que precisava de “fôlego” para dedicar-me às atividades que me davam prazer, me estabeleci: é hoje que abandono o vício. E assim foi. Taurina e compromissadamente. Numa boa, sem recaídas.

Minha irmã nunca fumou. Meu pai abandonou o hábito há alguns anos. Minha mãe, embora hoje fume menos do que já fumou, ainda é fonte de preocupação para todos nós. Lendo, dias atrás, a crônica da Cora Rónai, fiquei bastante tentada a adquirir o livro comentado. Não sou dada a policiar os hábitos alheios, mas quem sabe se, munida dos argumentos do jornalista Giacomo Papi, não logro convencer quem precisa ser convencido ?

Sobre esse assunto (tabagismo), tão elucidativa (quanto alentadora) a reportagem publicada, domingo, na versão impressa de O Globo — primeira parte no site

 

Houve uma vez um verão

 

A estação que ficou gravada na memória dos cariocas ganha livro e filme

 

Fernanda Abreu - Foto por Adriana Paiva

Fernanda Abreu, em 1996 : Show no Recife um ano após lançamento do álbum Da Lata

Eu morava em Brasília à época desse que, no Rio de Janeiro, ficou imortalizado como o verão da lata. Mas lembro bem de sua tremenda repercussão (e, digamos, de alguns de seus resultados ‘criativos’). Típico episódio que me leva a pensar na capacidade espantosa que os cariocas têm de fazer graça (e tirar algum proveito) de acontecimentos dos mais trágicos aos mais insólitos.
Este vídeo eu garimpei no YouTube. Além de curiosas versões sobre a carga “perdida” do Solana Star, interessante ouvir o povo que acha — como cita o jornalista Wilson Aquino, na reportagem –, que tudo não passa de lenda urbana, história de pescador.
Agora, melhor que tudo é lembrar de como esse disco da Fernanda Abreu me fez dançar (e cantar junto).

 

 

À procura de uma agenda

 

Outra missão hercúlea

 

Livraria da Travessa

Livraria da Travessa no Barra Shopping: Véspera do réveillon

 

Por poucos, raros motivos, abdico de minha tranquilidade para enfrentar uma ida ao quase sempre cheio e tumultuado Barra Shopping. Se, normalmente, essa é tarefa que me soa hercúlea, que dirá em véspera de réveillon. Pois foi justamente o que fiz à iminência da virada para 2012. E por uma daquelas raras razões especiais: a Livraria da Travessa. Mas não fui lá, como de costume, em busca de lançamentos literários e sim decidida a encontrar uma agenda com a qual me identificasse.

Na véspera do Natal, havia procurado em filiais de Cantão, Colcci, Ellus e Osklen , na Barra e no Rio Sul  e…nada ! Várias das grifes que, habitualmente, lançavam suas agendas perto das comemorações de final de ano, neste 2011 não o fizeram. Sinal dos tempos ? Estarão as pessoas preferindo organizar seus dias em iPads, smartphones, netbooks? Eu não. Embora até tenha tentado, continuo a preferir os velhos e bons caderninhos, divididos por datas/horários — e, de preferência, com algo belo entremeado às informações essenciais.
Enfim, mas na minha ida à Travessa, igualmente, certa decepção. A gôndola reservada às agendas já estava um tanto reduzida quando resolvi vasculhá-la entre Keith Harings e Man Rays. Ao final e ao cabo, saí de lá sem uma agenda para pautar-me no novo ano.

Em tempo: Um excepcional 2012 aos que por aqui venham desaguar !

 

 

De caminhadas pela orla carioca

Observando modos e manias

 

Copacabana - Posto 6

Praia do Pepe - Barra da Tijuca

Barra da Tijuca

Urca

 

Nas fotos  — de cima para baixo : 1 – A inevitável indagação: conseguiria a moça aproveitamento razoável de sua leitura com o sol já quase a pino ? (Copacabana, Posto 6. Primavera 2011). 2 – Reunião de fim de tarde (Praia do Pepê, Barra da Tijuca). 3 – Ainda Barra da Tijuca. 4 – Com esta talvez inaugurasse uma série com o pomposo título “Quando os observadores tímidos saem a passeio”. O subtítulo seria “Eles detêm-se sem invadir”. (Urca, Avenida Portugal). Fotos por Adriana Paiva ©.

Aqui começa a viagem

  

  Escalas em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo

   

Aérea saída do Rio por Adriana Paiva

Janeiro 2011 – Voando do Rio para Brasília

 

 Se assim se pode chamar sem que se incorra em pretensão, a proposta deste blog é trazer das cidades por onde mais circulo dicas de lazer, cultura e serviços diversos. Nos meus blogs Periplus, Em Trânsito e Foco Seletivo (como também no Facebook e neste Flickr), compartilhei, esporádica e informalmente, experiências de fruição artístico-cultural e consumo. A ideia aqui, entretanto, é manter um ritmo de publicação diária — com notas, geralmente ilustradas, e sobre os mais diversos assuntos. Entre uma e outra experiência compartilhada, também publicarei neste espaço crônicas e um pouco de prosa de ficção. Começo com a parábola abaixo (publicada, originalmente, em um de meus blogs).

 

 Texto por Adriana Paiva

 

Que ultrajante pedido teriam feito à tal senhora? Sua iracúndia, amainada, rompante após rompante, ao longo de décadas, com agrados caros e viagens além das fronteiras do reino, abalara até os mais dóceis e leais membros de seu numeroso séquito.

 Na estrebaria e na cozinha serviçais sussurravam suposições :

 – Consta que a solicitante ignorou todos os protocolos… – tomou a frente a governanta .
– Dizem tratar-se de uma jovem plebeiazinha com aspirações a letrar-se fora do reino — repetiu a cozinheira o que ouvira pela manhã cavalariços discutirem a caminho da cozinha .
Sobraçando a impecável toalha inglesa, quase à soleira da porta, o taifeiro — que alguns sabiam ser pai viúvo de três moças em idade de casar — , com a cortesia distante de quem se encontra em meio a colóquios que não lhe dizem respeito, emendou, entre pesadas pausas :
– Os jovens … suas maneiras breves, diretas — abanou a cabeça, retirando-se — … pensam que podem chegar aonde ?

 Poucos insurretos foram contabilizados no episódio. Nenhuma atrocidade excepcional precisara ser cometida para devolvê-los à condição indiferenciada de subalternos. Entre os seguidores mais obsequiosos da iracunda, no entanto, um certo mal-estar ainda jazia. Mister mais amargo que calá-lo para outros era calá-lo para si.

 

 

 * * *