Lições de coexistência

Da dificuldade de se manter, na vizinhança alheia,  comportamento equivalente ao que se mantém na própria

Fotos por Adriana Paiva

Nas dependências do Novo Leblon: Colégio Santo Agostinho e um segurança do condomínio fazendo a ronda. À direita, o shopping Rio Design Barra

Já comentei aqui que o Novo Leblon está na lista dos condomínios da Barra da Tijuca com mais completa infraestrutura.
Deixando de lado os benefícios exclusivos dos moradores para ater-me à parte comercial – no entorno mais próximo, três shoppings, entre os quais, o Rio Design Barra -, afirmo que é justamente nesse quesito que reside um sério senão. Algo que não ocorreria, se as pessoas tivessem noção mais apurada do que seja uma coexistência cidadã.

Para ser franca, não sei quem mais sistematicamente desrespeita as regras internas do condominio. Se as mães descontroladas, pilotando SUVs em velocidades irresponsáveis, quando vão ao Colégio Santo Agostinho levar e buscar seus filhos, ou se o pessoal que frequenta o Rio Design e larga seus veículos, inadvertidamente, pelas ruas do Novo Leblon – de modo, é claro, a não ter que desembolsar os valores, nem sempre módicos, cobrados pelo estacionamento no shopping.

barra da Tijuca

Avenida principal: Para não pagar estacionamento no Rio Design (ao fundo), visitantes costumam deixar seus carros junto a uma das áreas de lazer do condomínio

Do desrespeito à velocidade máxima permitida em área residencial ao estacionamento sobre as faixas de pedestres, fato é que, diuturnamente, observamos as infrações se multiplicarem. Daí que não seja raro também vermos um ou outro carro saindo guinchado do condomínio.
Dia desses, um utilitário (fotos abaixo), estacionado, displicentemente, entre meio-fio e rotatória, atravancando a passagem do ônibus exclusivo do Novo Leblon, escapou, por pouco, de ter essa mesma sorte. Foi preciso vir um segurança motorizado ao local e que este acionasse outros de seus colegas até encontrarem o dono do veículo.

Sabemos que todos estão sujeitos a emergências. Sabemos também que a maioria das pessoas que se permite ser tão displicente nessas horas, não o faz sem avaliar, minimamente, o ônus advindo de sua postura.
Experimente largar seu carro, desleixadamente assim, no entorno da Praça General Tibúrcio (na Praia Vermelha). Lá, os guinchos costumam entrar em ação com bem mais celeridade.

Fotos por Adriana Paiva

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Antes de desativar seu perfil no Instagram…

Pense bem; não há garantia de que você reveja suas fotos

Aqui, um resumo do que ocorreu comigo: Em 24 de julho de 2017, desativei minha conta no Instagram. Ao reativar, no dia seguinte, constatei que cerca de 750 de minhas imagens haviam desaparecido. Embora os sucessivos contatos com o suporte da rede social, em momento algum, eu obtive retorno. Dado o espantoso volume de queixas semelhantes, partidas de outros usuários, qual não foi a minha decepção ao concluir que falta de feedback é praxe do Instagram

Museu Municipal de Haia - Foto pde Adriana Paiva

‘Hollands Deep’,  mostra do fotógrafo Anton Corbijn no Museu Municipal de Haia: Imagem (re)publicada no Instagram

 

Escrevi, em 26 de julho:

Sim, este é um ‘repost’. E um ‘repost’ em sinal de protesto. Pois que sigo inconformada com o sumiço de minhas fotos. M-I-N-H-A-S. Todos registros de minha autoria, convém enfatizar. Das mais de 1000 imagens publicadas, de 2013 para cá, restaram 250. Como assim? Por quê? Aonde foram parar? Entrei em contato com o suporte do Instagram, mas, como sói ocorrer nessas circunstâncias, não obtive nenhum retorno. Pesquisando na Internet, descobri que outros usuários passaram por situações semelhantes, ao desativarem seus perfis e reativarem algum tempo depois. Entre inúmeras reclamações e um e outro relato desesperado — de gente que, como eu, fez contatos infrutíferos com o suporte –, encontrei até quem relatasse ter perdido uma “galeria” inteira, ao desativar sua conta aqui. E aí?  Fica por isso mesmo?

Voltei ao assunto, quatro dias depois:

Roterdã Paris - Foto de Adriana Paiva

Ainda à espera de ter minhas fotos de volta. Li em queixumes por aí, entretanto, que, justamente quando menos se espera, é que as imagens costumam retornar à sua galeria (…)  No meu caso, que tenho usado o Instagram, sobretudo de forma lúdica, é certo que já não verei a mesma graça em continuar postando. Só não me aborreço mais porque tenho o backup de tudo o que já publiquei aqui. A exemplo deste registro, que fiz a bordo de um trem da Thalys, viajando de Rotterdam a Paris.
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Diante de soluções imperfeitas

Movimento para mudanças

Depois de 16 anos hospedando um de meus sites na Locaweb

Reportagens publicadas - Renitência taurina

Portfólio de publicações: Acima, uma das matérias que escrevi para a Revista da Cultura

Mantenho um site hospedado na Locaweb desde 2001. E, neste contrato ininterrupto de 16 anos, segundo recordo, no mesmo plano “Hospedagem Profissional II”.
Dando corda ao que há de mais taurino em minha personalidade, precisei fazer testes por tempo suficiente, até poder admitir que, desde que deixei de trabalhar com assessoria de imprensa, essa solução já não corresponde mais às minhas necessidades. Para se ter uma ideia, no antigo website da Verve, chegamos a criar até hotsites para os nossos assessorados, com recursos, entre outros, o de enviar cartões postais eletrônicos.

Quando decidi que passaria a atuar como jornalista freelancer, contratei uma empresa de webdesign para criar um outro site. Quis manter, nesse meu portfólio de matérias publicadas, a mesma autonomia que eu já experimentava atualizando o site da assessoria. Isto é, podendo subir textos e imagens, sem precisar recorrer a um webmaster. Estabelecido isso, não pensei mais a respeito. Tenho razoável liberdade para fazer alterações e publicar o meu material? O sistema está funcionando? Então, ótimo!

 Cliente Locaweb

Painel do cliente Locaweb: O plano do meu contrato

E daí, por achar que essa ainda era, para mim, a melhor solução profissional – no tocante, sobretudo, ao funcionamento do site e à administração de mensagens -, continuei pagando por um plano de hospedagem (‘print’ acima) que pressupõe que eu use “e-mail marketing”, 80 caixas postais, além de outros 200 domínios – o que, obviamente, está longe de ser a minha realidade.
Em fevereiro, solicitei à Locaweb ‘downgrade’ de plano.  A resposta dada, àquela altura, era que, como o sistema estava com problemas para efetuar a operação, no lugar da migração do plano, eles me concederiam um bônus — o que ocorreu até abril passado. Neste mês, sem qualquer aviso prévio, a cobrança voltou a vir com o valor de antes da solicitação de ‘downgrade‘. Valor, a propósito, muito acima do que os concorrentes praticam para os serviços/recursos que a Locaweb afirma me prover – maior parte dos quais, convém frisar, eu não utilizo. Paguei o boleto, claro. Inconformada, é óbvio.

Minutos depois de eu pagar a fatura e fechar o ‘bankline‘, o telefone tocou. Ora, ora, se não era da Locaweb. A funcionária confirmava as restrições técnicas para realizar o ‘downgrade’ e, além de reiterar que a empresa não tinha um prazo para tal, me informava da concessão de um novo bônus, a vigorar pelos próximos três meses. Bem, talvez esse seja o mínimo de deferência possível para com um cliente com tanto tempo de contrato.
Mas, enfim, a considerar a imperfeição das soluções e o stress que já me causam, vamos ver o que decido a partir daqui. Vontade de mudança e domínios reservados não me faltam.

Verve

Simples e funcional: Painel por onde, atualmente, faço ‘upload’ de minhas matérias. 

Terças Musicais do CCBB

Da época da assessoria de imprensa: Projeto “Sete Cordas – Um Violão Brasileiro“, que esteve em cartaz no CCBB de São Paulo. 

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Dias de ressaca

 

Sobrevivência no ‘Rio Olímpico’

 

Praia do Arpoador

Da mureta do Arpoador: O trecho interditado pela Defesa Civil na sexta-feira (29/4) continuava assim quando passei por lá na terça (3/5) pela manhã.

 

Os reflexos da frente fria que chegou ao Rio, há pouco mais de uma semana, ainda se fazem notar em vários pontos da orla. No Arpoador, depois que ondas de mais de 2.5 de altura tragaram a faixa de areia, atingindo o calçadão, a Defesa Civil decidiu interditar, no último dia 29, o trecho à beira-mar que vai do Posto 7 até a rampa de acesso à praia, localizada em frente ao Hotel Arpoador Inn.
Já na Barra da Tijuca, o mar agitado chegou a danificar a estrutura que estava sendo montada, no Posto 2, para o campeonato de surfe Oi Rio Pro  (que ocorre entre 10 e 21/5), fazendo com que o palco principal do evento tivesse que ser transferido para a Praia do Grumari.
Prevendo outras fortes ressacas ao longo do ano, o oceanógrafo David Zee divulgou, na semana passada, que apresentaria à Defesa Civil do Rio de Janeiro um plano de mapeamento, onde sugeriria a interdição das áreas mais vulneráveis à incidência de grandes ondas. Além das praias do Arpoador e da Barra, devem constar desse monitoramento diversos trechos de orla entre a Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, e a Pista Cláudio Coutinho, na Urca.

 

MNBA Por Adriana Paiva

Praia da Barra da Tijuca, feriado de 1° de maio: Quebra-mar é um dos pontos constantes do mapeamento de ressacas idealizado pelo oceanógrafo David Zee 

 

Ações preventivas

 

Quem vive no Rio e em outras cidades litorâneas certamente concorda que essas deveriam ser precauções habituais. O que mais comumente se observa, entretanto (aqui, como em outras regiões do país), é a ausência de um bem urdido plano de ações preventivas e tais cuidados só passarem a existir após a ocorrência de uma grande tragédia.
A tragédia da vez não poderia ter sido mais arrasadora no que tange à negligência e coincidências. No dia em que, na Grécia, era acesa a tocha olímpica, no Rio, cidade-sede da Olimpíada de 2016, recebíamos, aturdidos, a notícia de que um trecho da ciclovia Tim Maia – parte do alardeado legado olímpico — desabava na Avenida Niemeyer, ocasionando a morte de duas pessoas.

Creio que todos os que vibraram com a construção de uma ciclovia em área tão privilegiada jamais suporiam que uma obra costeira daquelas dimensões pudesse ter sido concebida sem que se previsse a ação de um fenômeno natural tão conhecido por aqueles que aqui vivem – exceto, conforme soubemos, pelo secretário municipal de Governo do Rio. Dado nosso extenso histórico de desacertos na área, deveríamos ter suspeitado.

Desde então, o que vinham sendo dias de forte ressaca, passaram a ser, também, de desencanto. No meu caso, que sempre me julguei uma carioca atípica, mas, que, há alguns anos, tenho tentado não mais viver às turras com a cidade onde nasci, de um pouco mais de desalento.

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Não cheguei a pedalar pela ciclovia Tim Maia, no trecho de São Conrado onde ocorreu o acidente. Mas fiz inúmeras fotos em minhas rotineiras passagens pela região. Uma delas, publiquei no Instagram, no dia 7 de fevereiro, poucas semanas após sua inauguração:

Ciclovia da Niemeyer

Dentro do carro, descendo a Avenida Niemeyer em direção ao Leblon. Lá fora, o guri, todo compenetrado, conduzindo sua bike pela recém-inaugurada ciclovia Tim Maia. Uma alegria ver tantas famílias pedalando por aí.

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Rio, 19 de março de 2016

Tchau, verão

Lamento não poder dizer que sentirei sua falta

Vizinhança no Novo Leblon

Do Instagram: Na balsa do Novo Leblon, voltando para casa depois de longa caminhada

 

Evitando confrontos desnecessários

Da série ‘Pensamentos que não quiseram calar’

À espera do momento mais apropriado para dizer àquela pessoa com quem sempre mantive diálogos cordiais, mas sem profundidade, que, se houve alguma vez em que votei no PT,  crendo, firmemente, que fazia a melhor das opções, essa  única vez  foi quando meu voto ajudou a eleger Cristovam Buarque governador do Distrito Federal.

 

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Outros ares

 

Na vizinhança

E um pouco além

 

Vizinhança no Novo Leblon

Novo Leblon - Por Adriana Paiva

Paisagens cotidianas: A certeza de que minhas longas caminhadas, entre verde e mar, trarão de volta a serenidade que, às vezes, me falta

 

Debruçada sobre novos ‘jobs” e dando início a preparativos para viagens que farei em breve, resolvi desativar, há questão de três semanas (sim, outra vez), minha conta no Facebook.
Continuo, entretanto, publicando com alguma regularidade em outras redes sociais. Algumas delas, cabe frisar, sempre funcionaram como extensões deste blog, já que ali também compartilho opiniões e imagens relacionadas ao meu dia a dia – a exemplo de meus posts no Instagram e no Foursquare / Swarm.

De algumas semanas para cá, também venho tentando retomar minha presença no Twitter, que andava um tanto negligenciado desde que, tornando-me assídua no Facebook, passei a utilizar os tais 140 caracteres com o principal intuito de replicar posts daquela e de outras redes.
O que eu não considerara encontrar, nessa minha “volta” ao microblog, é o clima de acirramento político ainda mais pesado do que na rede que celebrizou Mark Zuckerberg. Suspeitava, é claro, mas não pensara a respeito.
Outro dado importante que já me escapava é que, quanto menos espaço as pessoas disponham para expressar seus pontos de vista, ainda mais mesquinhas elas podem soar.

 

Desligou o vozerio e foi ao cinema

 

Sobre dar um tempo nas redes sociais

 

Vozes da multidão
 

Até onde consigo lembrar, esta deve ser a quinta vez em que desativo minha conta no Facebook. Se, em todas as vezes anteriores, o intuito principal era me afastar de distrações, agora, o motivo não é menos premente: manter distância de tudo aquilo que me traga aborrecimento sem uma equivalente contrapartida em termos de prazer. Em todos os ensejos em que saí da rede social, temporariamente, ou eu tinha trabalhos a entregar e lidava com deadlines rigorosos, ou eu não andava muito bem de saúde. Mas foi sempre a conjunção desses e outros fatores, o que, ao final, impulsionou minha decisão.

Ao contrário das outras saídas, no entanto, esta tem desencadeado uma série de reflexões úteis. É com certo pesar que começo a admitir, por exemplo, que aquela minha ideia de ter entre meus contatos nessa rede social, especificamente, pessoas com formação, temperamento e filosofia de vida diversos dos meus já não me parece tão interessante (ou tranquila) quanto um dia foi. Suponho que seja natural que, depois de uma certa idade, passemos a nos questionar se não seria mais adequado (saudável, sobretudo) buscar uma aproximação maior daqueles que pensam de maneira afim à nossa. Se eu fosse uma pessoa de perfil e trajetória menos complexos, talvez essa também fosse uma meta a ser seriamente considerada. Mas não sou. Eis aí a origem de boa parte de minhas inquietações.

Falando ainda em Facebook: utimamente, o que vinha sobressaindo ali, para mim, eram os ânimos acirrados por motivação política e a postura dos que têm opinião formada sobre todos os assuntos e precisam ter sempre a última palavra acerca de cada um deles. Dito de outro modo, o falatório estridente, a verborragia oca. E tudo isso, quando não me exaspera às raias do insalubre, apenas me entedia e cansa.
Como acontecia, aliás, na época das listas de discussão. Recordo do dia, a propósito – ali, por volta do início dos anos 2000 -, em que me descadastrei da primeira das dezenas de listas das quais então participava. Nossa! Que prazer maravilhoso e nunca experimentado era aquele? Tão libertadora foi a atitude que, depois do abandono dessa lista, como que em efeito ‘frenesi-dominó’, acabei me desinscrevendo de todas as outras. A Internet, se me revelava ali, não era o melhor lugar para o embate de ideias.
 

***

Mas voltando ao Facebook, quer ver situação que também decepciona? Descobrir que os tipos humanos que por ali transitam, com seus dedos em riste, podem ser – mais facilmente do que eu quereria admitir – divididos em categorias.
Comecemos pelos antipetistas monocórdicos, aqueles que colecionam erros pregressos e presentes de Lula, Dilma e correligionários, para incansáveis postagens diárias, sempre, é claro, embebidas em muita virulência. Não nego que acertem em várias de suas críticas, mas falta-lhes mínimas compostura e elegância ao externá-las; isso, quando o que lhes falta, acima de tudo, não é humanidade.

Mantendo uma linha equânime em minhas elucubrações, não poderia deixar de citar uma outra espécie, também com muitos exemplares na rede social, a dos petistas-avestruzes. Esses parecem viver em um universo paralelo, onde as conclusões do Mensalão e da Lava-Jato não passam de um complô burguês amplificado por uma entidade obscura a que eles costumam chamar de PIG. Nesse planeta, de ofuscante cor rubra, os assaltos a Petrobras nunca ocorreram, nem vultosas quantias foram desviadas para financiamento de projetos de poder.

***

Neste ponto, vou preferir deixar a sempre espinhosa seara da militância política em redes sociais para passar àqueles personagens, digamos, com preocupações mais mundanas. Farei-o com uma homenagem aos alucinados por “torrents”. Esses, se formos analisar friamente, também têm seu quê de militantes, uma vez que, ostentando hábitos sedimentados, raramente se furtam a pontificar sobre os hábitos alheios. Um exemplo: quando fazem questão de deixar claro que acham o cúmulo do desperdício você pagar pela assinatura de “centenas” de canais de TV a cabo, quando poderia, simplesmente, baixar “na faixa”, os filmes e séries “de fato, essenciais”.

Barbaridade. Três categorias listadas e já estou exaurida. Você, que me leu até aqui, certamente dirá que acha terrível “reduzir” seres humanos dessa maneira. E eu vou concordar. Mesmo sabendo que há quem mais facilmente se preste a essas reduções.
Quer me parecer, entretanto, que está claro que o que aqui escrevo é um desabafo. Menos evidente, talvez, seja o fato de que as críticas que faço têm como principal alvo os ferozes inimigos das nuances e dos meios-termos. Os radicais, em suma.

Avalio voltar ao Facebook uma hora dessas. Afinal, também mantenho ali contato com gente de quem gosto muito. Mas espero que, ao voltar, esteja apta a me estressar menos do que me estressei até outro dia.

 

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O que restou do Flickr ?

 

Reflexões que vêm daqui

 

Em meio à clara deterioração do aspecto social do site de compartilhamento de imagens

Flickr Adriana Paiva

 

Que terra inóspita virou o Flickr. Renovei minha conta PRO apenas para não ter qualquer preocupação sobre a quantidade de fotos que me aprouvesse publicar ali – embora nem precisasse, dado o espaço (surreal) de 1 TB a que qualquer usuário tem direito. Já sinto que joguei dinheiro fora. Sensação que se adensou, dia desses, depois que, sob uma foto que publiquei, outro usuário deixou um extenso e confuso texto de cunho alarmista. Primeiro, advertindo-me a assinar minhas próprias fotos (algo que, invariavelmente, faço). Depois, pretendendo me informar que as mesmas poderiam ser utilizadas para a criação de “perfis fake” e dando a entender que eu já teria sido vítima de um desses golpes. Escrevi-lhe, inbox, pedindo para que fosse mais específico e ele não respondeu. Atitude que só fez aumentar minhas suspeitas sobre suas reais intenções ao deixar, em minha página, um comentário enorme, repleto de links, e naquele tom paternalista-mandão – comentário esse, devidamente removido.

Lembrava, vagamente, do nome do autor da pichação histérica, de uma época em que fui mais assídua no site, e resolvi saber algo mais sobre essa figura que age como se fosse o secretário geral de segurança do Flickr. Descobri que é contador de profissão e que “administra” diversos grupos com temas relacionados ao Rio de Janeiro. Grupos, aliás, que ele toca como se fossem feudos e com aquela ilusão de poder típica dos coronéis do cotidiano: se não acatam as minhas regras, docilmente, e não rendem loas às minhas fotos, neste grupo, suas imagens não entram ! Postura, afinal, congruente com a de um sujeito que, no texto introdutório de seu perfil, usa citações de Cartier-Bresson e do papa Francisco e, não sendo bastante a presunção, ainda orienta seus contatos a, quando deixarem comentários em suas fotos, a fazerem o favor de não recorrerem a clichês.

Nas minhas lembranças de habitué antiga do site, lá pelos idos de 2006, havia bem menos egolatria e muito mais cordialidade do que tenho visto agora.

 

 

Da série: Com a deixa da notícia

Operação do Procon no bairro da Urca

Nove dos treze estabelecimentos vistoriados são autuados e receberão multa

Praia Vermelha

Pão de Açúcar visto do CMPV : É no interior do clube que fica o restaurante Terra Brasilis

Triste o desempenho da Urca na operação pré-Copa do Procon. Dos treze estabelecimentos vistoriados, na última quarta-feira, nove foram autuados. Algumas dessas atuações não me surpreendem de todo. O Terra Brasilis, por exemplo, é um restaurante no limiar do razoável – o mais interessante dali, a meu ver, é a generosa vista do Pão de Açúcar. O que mais choca, nesse levantamento, é o número e o tipo de irregularidades encontradas. Situação ainda mais preocupante quando se sabe que o lugar fica invariavelmente lotado, na hora do almoço. É grande a frequência de estudantes e professores da Unirio, Ateliê da Imagem, IME, etc., instituições vizinhas daí. Sem falar das numerosas levas de turistas.

Desde que comecei a frequentar o lugar, em meados da década de 1980, quando morei no bairro, o restaurante passou por umas tantas administrações e trocas de nomes. Depois da mais recente dessas mudanças, estive lá algumas vezes. Em nenhuma delas saí com a convicção de que valesse realmente a pena retornar.

 

Outro #prontofalei

E o alvo, mais uma vez, a Barra da Tijuca

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Cidade das Artes: Músicos homenageiam Luiz Paulo Horta

Tantos eventos interessantes rolando ultimamente. E perto, mas tão ridiculamente perto de casa (2 km + ou – ), que é o fim da picada que chegar lá a pé seja tão complicado (para não dizer…letal). Sei que esse é um meu queixume recorrente, mas se algo na Barra da Tijuca me tira do sério (afora emergentes dados a ostentar aquisições), é que este seja um bairro tão pouco amigável a quem prefira locomover-se por meios outros que não os automotivos.

No Facebok, adendos meus em debate sobre o assunto:

De O Globo, em matéria sobre o Projeto Aquarius: “Kalil lembra que a Cidade Das Artes está diretamente ligada ao Terminal Rodoviário da Alvorada, por meio de uma passagem subterrânea que facilita o acesso de todos aqueles que decidirem usar o transporte público para chegar ao concerto”. Bacana, perfeito que a população em geral tenha acesso facilitado a eventos dessa natureza. Mas, vem cá, e os moradores da Barra? Para chegar lá, continuarão a ter que tirar seus veículos da garagem (ou, quem sabe, se aventurar a uma viagem de BRTrombada)?

Aí eu comparo a Barra da Tijuca com Brasília, e os brasilienses mais bairristas ficam chateados. Estando Lucio Costa por trás de ambos os projetos arquitetônicos, fazem todo o sentido as semelhanças. Sempre gostei de andar a pé. Mesmo em Brasília, fazia-o com grande prazer. Mas, sejamos honestos, tanto lá quanto aqui, é altamente sacrificante viver sem carro.

Sim, Helena, as superquadras daí parecem-se bastante com os condomínios daqui. Inclusive no que tange a serem providas de bons centros comerciais. A questão é: e como fica quem não quer viver circunscrito à própria vizinhança ? Não é nada fácil ser pedestre ou ciclista na Barra. Aliás, você já deve ter ouvido/lido a respeito dos atropelamentos ocasionados pelo BRT.

Foto: Divulgação

 

Com a deixa de uma reportagem

 

De um Rio aquém de medíocre

 

Cidade das Artes - Barra da Tijuca, bem perto do Novo Leblon

Cidade das Artes, na Barra: Registro de um domingo de “Encontro com o Autor”

Publicado no meu perfil, no Facebook:

Dez anos de São Paulo, quinze de Brasília e outras tantas escalas por aí me dão subsídios (diária e infelizmente) para corroborar: nasci e volto a morar nesse “Rio de serviços ruins”.

Acréscimos na área de comentários:

Comparar Rio com São Paulo, Luís Antônio? Pois é, essa é uma tentação inevitável. E tem consequências, não raro, problemáticas. A gente corre o risco, por exemplo, de angariar uma penca de desafetos. Sobretudo entre os cariocas mais bairristas. A bem da verdade, acho bairrismo uma grande besteira ; jamais me estressaria pelo fato de alguém apontar aspectos negativos da cidade onde nasci ou adotei como residência.

Um exemplo bem perto de mim: A Cidade das Artes. Já não era sem tempo de aquele aparelho estar funcionando a pleno vapor. Mas não. O acesso é uma quase completa incógnita. E ainda não antevejo como aqueles que não têm carro (ciclistas, pedestres) poderão chegar ali – bem, dirão alguns, mas esse é um problema de quase toda a Barra da Tijuca (além-condomínios). Várias áreas da estrutura, como algumas das rampas, são vedadas ao acesso do visitante, e nenhum funcionário sabe dizer por quê. Pelo menos no banheiro em que entrei, deparei com água escorrendo pelas paredes e no piso. No lugar onde está a “sala de leitura” (e onde ocorre o Cidade Literária) eu esperava encontrar uma estrutura mais semelhante a uma biblioteca. Mas não. É bonitinha, tem 3 ou 4 computadores e alguns livros de arte mas, no momento, parece-se mais àqueles espaços que algumas livrarias oferecem às crianças: um cantinho charmoso com ares de brinquedoteca. Enfim, falta muito ainda para aquela gigantesca construção se parecer com um centro cultural do nível de um CCSP, de um CCBB ou de um Memorial da América Latina.

No quesito ‘gastronomia’, aqui mesmo, na Barra, outro dia fui com meus pais na Dona Olinda, delicatessen inaugurada, há poucos meses, na Praia do Pepê. Por fora, uma graça de lugar, com varanda, mesas rústicas, plantas por todo o lado e, não menos interessante, vista para o mar. Mas um passeio pelo cardápio e lá vêm as primeiras decepções. Pedi um sanduíche e queria-o em pão de forma integral. Ao que me informa o garçom, depois de muitos minutos de espera: desculpe, mas o pão integral acabou. Meu pai queria um suco da ala “nortista” do cardápio; acho que era graviola. A resposta: ‘senhor, não temos nenhum desses sucos. Apenas os tradicionais’. Para fechar o festival de surpresas ruins, o croissant de chocolate que levei para casa tinha recheio endurecido, parecendo ter sido feito muito antes da antevéspera. Enfim, mas como eu sou brasileira, mantenho-me otimista. Não devo tardar a ir de novo ali. E espero, francamente, não voltar a me decepcionar.


Para quem mesmo, cara pálida ?

 

“Bom pra cachorro” ?!

 

Boo e seu cotidiano de muso das redes sociais

Acima, imagem da série In Dog We Trust, da artista visual Sandra Birke.

Das sugestões de pauta ensandecidas que vêm dar (e adernar) na minha caixa postal. O ‘subject’ desta — “Carnaval Bom Pra Cachorro” — já dava ideia de que alguma bizarrice viria pela frente. O texto: “Fevereiro é tempo para muito samba, marchinhas e animação. Um momento onde todos esquecem a etiqueta (blá-blá-blá) e saem fantasiados do que quiserem para curtir até três noites sem pensar no amanhã. A regra é ser feliz!“. E, mais adiante, com muitas fotos de cachorrinhos fantasiados – tão empertigados, que parecem de pelúcia -, informa-se que seus cães podem “curtir o carnaval com você” caracterizados como Bat-dog, Branca de Neve, enfermeira, etc.. E que, para tanto, basta acessar o site da maior loja de produtos para pets … do Bra-sil !
A acrescentar sobre isso : gente que trata bichos como bonecas, prontas para serem vestidas e enfeitadas, não merece ter um cão ou gato.

 

|| Postado no meu perfil, no Facebook.

 

 

 

2012 revisto – Sob alguns possíveis ângulos

 

Do meu perfil no Facebook

 

The Newsroom - HBO

Emily Mortimer, produtora de telejornal em The Newsroom: Entre melhores estreias dos canais pagos

O ano e as séries de TV. Noto várias lacunas nessa lista, mas concordo com algumas das avaliações. Não gostei tanto de “Girls”, mas fui irremediavelmente fisgada por “The Newsroom”. Já “Veep”, outra estreia da mesma HBO (não citada na matéria), traz uma Julia Louis-Dreyfus mais cínica e quase tão engraçada quanto sua personagem em “The New Adventures of Old Christine”. Sobre “Grey’s Anatomy”, eu já não acompanhava a série com o mesmo interesse que tive pelas primeiras temporadas, mas decisivo mesmo para meu completo desencanto foram os episódios relativos ao acidente aéreo em que se envolve boa parte da equipe médica do Seattle Grace Hospital. Se Shonda Rhimes não tinha ainda ousado exageros “à la Gloria Perez”, foi aí que ela se superou. Também acho que a série já rendeu o que podia.

 

Piores de 2012

 

Outra das muitas listas de “Melhores & Piores”, publicadas em sites e na grande imprensa, esta acima vem sendo veiculada no Facebook por comunicadores envolvidos com mídias sociais.

O que deixarei para trás em 2013 ? Bem, MSN é desistência antiga. Vampiros ? Afora por um clássico ou outro rodado antes dos anos 2000, o tema, digamos, nunca me emocionou. Saga Crepúsculo e True Blood ? Tudo mais cafona do que o meu senso estético poderia suportar. Zumbis serão a próxima onda ? Por causa de “The Walking Dead”, suponho. Que seja, continuarei passando ao largo. Pois é, e bigodes ? Achava que meu pai ficava bem com eles ; sinto falta. Penso que barba, igualmente, deixa-o muito bonito. E o que aí ainda merece ser considerado ? Tá bem, admito, adoro brincar com hashtags. Sobretudo, no Instagram. Mas pelo que me conheço, a brincadeira deve perder a graça…logo ali. Resta-me desejar, então, que os modismos de 2013 cheguem e partam antes de nos deixarem saturados.

 

OUTRAS LISTAS:


 

De Boos e de outros Lulus

Ou dos modismos (quase) inofensivos

 

Boo e seu cotidiano de muso das redes sociais

Boo tem perfil no Facebook: Gracinhas divididas com mais de 5 milhões de seguidores

 

Assim como tem gente que chama papagaio de pano de “Louro José”, também tem quem chame Lulu da Pomerânia de Boo. Ok, cada um chama seu bicho de estimação como bem o pretenda. E não vamos aqui discutir modismos. Mas convém que se dê aos bois, digo…às raças de cães, os seus nomes certos.

Eu e minha irmã tivemos uma Lulu da Pomerânia quando crianças — ganha, aliás, da tia de minha mãe que, durante anos, criou a raça em seu canil. O Facebook estendeu para além de seus domínios a crença de que Boo é uma raça “nova” de cachorro. E não é. Boo é o nome do Lulu da Pomerânia de uma funcionária da rede social. Em 2009, ela (nada inocentemente, ao que parece), criou, no FB, uma página para seu cão (bonitinho e de tosa diferente do habitual). Não levou muito tempo para que o perfil, naquele conhecido efeito ‘rastilho de pólvora’, recebesse milhões de seguidores, fazendo de Boo uma “figura pública” tão popular que, não bastasse ganhar réplica em pelúcia e ter sua vida contada em livro, alçou, por tabela, a raça Lulu da Pomerânia (também conhecida como Spitz Alemão) a uma das mais cobiçadas do planeta.

Enquanto isso, aqui, aqui e aqui…dezenas de cães aguardam ser levados para casa por alguém que veja neles mais do que fofura.

Foto: J.H.Lee / Divulgação

 

 

Festival do Rio

 

Penúltimas

 

Estação Sesc Rio

Estação Sesc Rio, em Botafogo: Público circula durante intervalos de sessões lotadas

Hoje, entramos na última semana de Festival do Rio. Perdi a conta dos filmes vistos, numa edição em que, mais do que nas anteriores, tenho me concentrado nos documentários e nas mostras voltadas às artes (Itinerários Únicos), música (Midnight Música) e meio ambiente.

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Festival do Rio

Armazém da Utopia, no Cais do Porto: Centro nervoso do festival

Ontem, aliás, estava na última sessão, dentro do festival, de “Trashed – Para Onde vai Nosso Lixo”, dirigido por Candida Brady (assista ao trailer). Foi a própria Ilda Santiago, diretora do evento, quem introduziu o filme, ao lado de Rose Ganguzza, uma das produtoras.

Já tinha visto gente (críticos, inclusive) reclamar do tom excessivamente professoral do documentário. Peraí. E quem mesmo vai para o cinema ver documentário esperando, sobretudo, diversão? O tema é difícil e o tom é de alerta máximo. “Não estamos falando de um futuro distante“, diz Irons a certa altura, “o chão sob nossos pés já está coberto de lixo“.
Se suas preocupações com o planeta ultrapassam modismos, não deixe de ver Trashed quando estrear em circuito comercial.


O que ainda se cria ?

 

Não basta dar corpo à ideia que se copia
 

Desconcertante descobrir que uma conhecida dupla de profissionais paulistanos (ela arquiteta, ele fotógrafo), resolveu usar em uma de suas produções título também inspirado no filme “Alice nas Cidades”, do Win Wenders. Que o fotógrafo em questão tenha uma atitude dessas nem me surpreende. Recordo da época em que ele ainda mantinha um site de fotografia e usava ipsis litteris posts que eu publicava no Periplus e no Foco Seletivo.
Bom, não pretendo me estender a respeito. Seria de um tacanho e de uma perda de energia a que já não me presto. Fica o registro.

Metrô – Para a “gente diferenciada” de todos os matizes

 

 

Moema

Moema: Estação do Metrô prevista para 2015

A linha de Metrô que atenderá Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo, tem previsão de ficar pronta em 2015. As desapropriações já ocorrem há algum tempo e os tapumes já estão lá — acima, na esquina das avenidas Ibirapuera com a Rouxinol.

Quando morei em Moema, entre 1999 e 2005, teria adorado contar com essa que é uma das mais cômodas formas de locomoção dentro do perímetro urbano. Prescindindo, assim, mais frequentemente, de pegar táxis ou de tirar meu carro da garagem — veículo este que eu já mal usava em idos de 2004, dado, sobretudo, o enorme desgaste envolvido em dirigir no trânsito de SP. Lembro, a propósito, da imensa rejeição por parte dos moradores locais à construção de uma estação de Metrô naquela vizinhança, sob argumentação (obtusa) semelhante à partida de certa ala dos residentes de Higienópolis, que, em polêmica recente, alegavam que tal construção aumentaria o afluxo de pessoas de outros bairros (a tal ‘gente diferenciada’), levando as mazelas dessas para a região e, em última análise, desvalorizando as propriedades do entorno. Lamentável que pela visão estreita de uns — e com espantosa frequência — sejamos todos onerados.