A UnB de nossos manifestos juvenis

[ Da série: ‘Arquivos Brasilienses’ ]

O ano em que, por pouco, não vimos uma viralata tornar-se reitora

histórias de Brasília Bsb história FAC comunicação Geni a cãdidata cães viralatas SRD

Campus da Universidade de Brasília (UnB): A mascote Geni “posa” ao lado do DCE. ‘Cãdidatura‘ da viralata à reitoria ganhou fôlego a partir dos centros acadêmicos 

 

Estávamos em 1993,  pouco tempo após o meu segundo ingresso na UnB (dessa vez, para cursar Jornalismo) e em época de eleições para a reitoria.

Não recordo das circunstâncias exatas que envolveram a iniciativa de lançar a viralata como candidata a reitora. Ouvi quem afirmasse que a ideia teria sido gestada dentro do DCE, mas também quem dissesse que teria partido do pessoal do CAFIS, o Centro Acadêmico do curso de Física.
Concebida para encarnar o voto de protesto – no mais galhofeiro estilo “macaco Tião” -,  fato é que a candidatura da cã bonachona deixou o campus em polvorosa, com as ações criativas promovidas pelo pessoal dos centros acadêmicos, vindo, inclusive, a ser destaque em vários veículos de imprensa.

Foto pde Adriana Paiva

*

Algum tempo depois de “concorrer” à reitoria, Geni também foi parar na capa do “Agnaldo”, suplemento cultural de nosso semestre de Campus (o jornal-laboratório do curso de jornalismo da FAC), ao lado de acontecimentos e personagens de destaque da cena brasiliense, como o Maskavo Roots  – em sua primeira formação; a que tinha como guitarrista o Carlos Pinduca, fundador da banda e meu colega na disciplina ‘História da Imprensa’ (ministrada pelo saudoso Carlos Chagas):

jornal bandas brasilienses de garagem capa do suplemento Agnaldo do Campus

*

Falando, ainda, em reitoria, informações que já quase me escapavam: Ao longo de meus dois ingressos na UnB, tivemos três diferentes reitores: Cristovam Buarque, Antônio Ibañez Ruiz (que chancelou minha mudança de curso, da Antropologia para o Cinema) e João Claudio Todorov (por dois mandatos).

*

| Outras notas brasilienses:

*  + Universidade de Brasília * Meus endereços na capital federal * Brasília, 56 anos  * Bsb: 54° aniversário * Brasília aos 53  * Recuerdos digitalizados  * Pelas mesmas ruas onde aprendi a dirigir * Retratos em preto e brancoNotas do Clã * Arquivos de andanças * Razões para retornar a Brasília *

* * *

Geografia de afetos

Entre as andanças, a troca de cartas

E por que mesmo 5 vezes Brasília?

Dedicada às costumeiras arrumações de final de ano, lembro, com alegria, que, diferentemente dos cartazes e programas de teatro, que vi serem extraviados em meio às nossas mudanças de cidade, parte preciosa de meus arquivos epistolares segue cuidadosamente armazenada.
Vários desses cartões, cartas, telegramas (e envelopes) já estavam escaneados havia algum tempo – previdente que às vezes sou. Cheguei, aliás, a publicar algumas reproduções no Periplus, no início dos anos 2000.

Correios - Exército comando pai Antonio Augusto Apartamentos na 209 Sul na 112 Sul e na 103 Norte Do Pará e do Mato Grosso do Sul - Débora Sena Amambai 17° RC - Regimento de Cavalaria Fukumi Ikeda Pará e Mariliz Romero comandou comandos 18° Batalhão Logístico Blog MS filha filhos de militar Forças Armadas militares Ensino escolas colégios particulares estudei estudos Primeiro Segundo Grau Adriana Ana Cristina Escola Marista Integral La Salle Colégio Eduardo Guimarães educação

Pelo correio. Para 3 de meus endereços em Brasília: Cartão de Natal enviado de Amambai (MS) por Débora, amiga que me conhece desde criança – nessa época, eu morava na  209 Sul. Em 1989, quando residíamos na 112 Sul, cartão de Ikeda-san, colega de minha irmã nos tempos de Colégio Marista (em Belém), acabou virando amiga de nós duas;  e na 103 Norte, em 1993, remessa da amiga Mariliz, que conheci em Campo Grande (MS).

Passando os olhos por toda essa correspondência, veio batucar um assunto sobre o qual já falei aqui en passant: por que, afinal, depois daquela primeira vez, voltamos a morar em Brasília em outras quatro ocasiões?
Chamei meu pai  para conversar. Sabia das razões, em linhas gerais, mas queria ouvi-lo falar dos detalhes. Segundo ele, a prioridade era que eu e minha irmã tivéssemos a melhor formação escolar possível – estudamos, de fato, em ótimos colégios – e crescêssemos numa cidade segura e tranquila – o que Brasília de certa forma foi, em nossos tempos de infância e pré-adolescência. Junto a isso, pesou o fato de que, para lá também costumavam pleitear retorno os seus amigos mais próximos. Muitos dos quais conviveram com ele ainda antes de seu ingresso na AMAN.

Confesso que, nesse aspecto, tenho uma certa inveja de meus pais. Boa parte daquelas amizades que eles começaram a cultivar na juventude eles preservam até hoje.
Já eu, certamente por ser mais introvertida (e por ter feito tantas escolhas heterodoxas), vi, ao longo dos anos, muitos dos meus laços de amizade se afrouxarem e se perderem pelo caminho. Perdi, por exemplo, boa parte de meus contatos de Belém e de Olinda. Em contrapartida, ainda mantenho ligação com várias das pessoas com quem convivi no Mato Grosso do Sul e em Brasília e com outros filhos de militar que, como eu, também não eram muito de frequentar o meio.
Admito que, se o grau de intimidade com algumas dessas pessoas variou tanto ao longo dos anos, talvez tenha faltado mais investimento de minha parte, no sentido de criar as situações para revê-las.

No caso de meus pais, as circunstâncias para manter as relações aquecidas parecem estar sempre se renovando, vide a penca de reuniões – sob motivações as mais variadas – das quais eles participam a cada ano.
Eles me contam histórias curiosas sobre esses eventos. De um desses encontros anuais, a propósito, o do Colégio Militar (que meu pai cursou parte em BH, parte no Rio) costuma participar o Fernando Bicudo, de quem creio ter ouvido falar pela primeira vez na década de 1990, por sua atuação como diretor e produtor teatral.
Dessa turma deles, relata meu pai, outros desistiram da carreira militar e incursionaram por diferentes profissões – casos do cantor Ivan Lins e do falecido ator Luiz Armando Queiroz.

Piraquê Lagoa - Reunião anual do Colégio Militar Turma 1958 1964 . Filha filhos de militar Turma do meu pai - CMRJ Humaitá - militares Coronel General coronéis e generais Heleno Esper Arthur Souza filho Montanha oficiais superiores Exército Cavalaria colegas da AMAN Academia Militar das Agulhas Negras

Reuniões anuais da turma de meu pai no CMRJ: na foto do alto, comemoração no Clube Piraquê, em 2014. Acima, reunião de 2016; segurando a bandeira, no centro da imagem, Fernando Bicudo

Voltando àquele meu esforço de reaver e manter afetos, é claro que, à maneira do que ocorreu com muita gente que conheço, as redes sociais (primeiro o Orkut, depois o Facebook) cumpriram seu papel nesse propósito. Mas, fale eu de amizade ou do valor que dou à interlocução, jamais hei de esquecer que, muito antes delas, havia o ritual da troca de missivas.

Brasília: 56 anos

 

Minha homenagem

Com trechos de post publicado em 2002,  no meu 1° blog,  o Periplus 

Mudanças de cidade - filha filhos de militar militares do RCG Cavalaria Dragões da Independência superquadras brasilienses DF oficiais Exército Brasília macrobiótica e vegetariana estilo vegetariano Hare Krishna comunicação Revista Transe

Privilégio de ter vivido o lado mais “cidade” da capital da República.

Estávamos no início dos anos 2000 e eu me pegava revolvendo lembranças da década e meia em que, entre idas e voltas, morei na cidade : 

“(…)  O primeiro sobrevoo pelo ocre saturado do Planalto Central. As chuvas perfumando tudo depois dos duros meses de estiagem. O céu azul-púrpura e o horizonte amplo. A arquitetura de arestas. As vastas galerias e avenidas. Aprender a dirigir por essas ruas. A tentação da velocidade…
Nossa “secreta”, a baiana Joana. Seus quitutes pontuais. Judy, minha Lulu da Pomerânia. Preta, a vira-lata do coração. As ‘creonças’ aprendendo a cavalgar no RCG. Detestar as aulas. Ver meu pai jogar pólo. Fazer natação no Círculo. Os arraiais de São João. As visitas de meus avós durante as férias. O casamento da Cris, minha irmã. O nascimento de meu sobrinho Tiago.

Webster, meu professor de violão, e Verinha, sua namorada. Martín, Go, Leda, André, Carla, amigos e conselheiros. Valéria Velasco, mãe da Usha e minha primeira editora no Jornal da Comunidade.
As festas que organizávamos no Park Way. Fechar todos os bares da 108 / 109 sul, em cantorias desatinadas com a turma da FAC.

Deixar de comer carne, aos 15 anos. Ir ao Jegue Elétrico para comprar a “Transe” e os discos do pessoal do “Lira Paulistana”. Domingo de ‘prasada’ no Hare da 508. Fim de tarde no Café Martinica, a metros da minha casa. O pão de queijo e o bolo “peteleco” do “Furão ” (fechado há anos), na 102 norte. As tortas da Praliné e da Francesa.
Ir a todos os espetáculos no Teatro Nacional. Encontrar a Sala Villa-Lobos sempre lotada. Conseguir lugar nas primeiras filas. 
Devorar quadrinhos na gibiteca da 508 Sul. Expor na Athos Bulcão .

UnB : Os amigos de faculdades. Usha, amiga desde “Fotografia e Iluminação 1”, com o David Pennington. A primeira moviola. As aulas de “Direção do Filme”, com o Pedro Jorge Pinto. Gravar em um circo, nas proximidades de Bsb, uma adaptação do “Artista da Fome” ( conto do Kafka), para a disciplina do Pedro Jorge. Ir com coleguinhas à primeira expo do Salgado — no DF, claro. Os Ladrões de Alma. Viajar para Pirenópolis no ônibus ferrado da FUB, para fazer o ensaio final em “Introdução à Fotografia”. Jeová, criatura santa que trabalhava como laboratorista na FAC. “Seu Tonho”, servente nota 10, alegrando a galera retardatária no final de semestre.
Alice Tamie Joko (Arice Sensei), minha primeira professora de japonês. Cantar no Tanoshii Tori. As aulas de “Cultura Japonesa”, com o Marcos Vinícius. Aprender ikebana e sumi-e, no NEA(SIA) . As farras do Enecom. Os shows de Célia Cruz, Fito Páez, Cássia Eller, etc., no FLAAC.
As horas infindáveis devorando todas as edições da “Graphis”, mais a obra do Borges e do Kafka, na BCE. Os 6 ou 7 livros emprestados semanalmente na biblioteca .
Ir praguejando até o C.O. para fazer PD1 e PD2. Encontrar corujinhas nas árvores do caminho.

Os inesquecíveis interlocutores. Os múltiplos gozos intelectuais. Ver e ouvir: Adélia Prado, Washington Novaes, o bispo Desmond Tuto, Ferreira Gullar, Roberto Freire ( os 2 :-) Receber os toques do mestre das artes gráficas, Wagner Rizzo . Fazer o still daquele documentário sobre o Torquato Neto. A entrevista que o Caetano Veloso  nos concedeu no Hotel Nacional. Aprender a fazer roteiro para cinema. Ter alguns guardados na gaveta.
Ter sido aluna, também, de: Vladimir Carvalho (O Documentário), Carlos Chagas (História da Imprensa), Roque Laraia  (Antropologia 3),  Susana Dobal (Introd. à Fotografia ), Cristina (Inglês 1 e 2), Maria Auxiliadora (Linguística), Ferreirinha (Teoria da Literatura), Esther, Maria Rita Leal, Luís Humberto, Climério Ferreira… Adoraria rever todos vocês. Ouví-los, abraçá-los. Saudade.”

Brasília DF Espaço Renato Russo 508 Sul Clodo Climério Clésio Carla e Luciana Giles Antunez de Mayolo departamento história TV telejornalismo comunicação FAC jornalista Adriana Paiva

+ Ainda Brasília – Celebrações outras: O aniversário de 54 anos e o de 53.  

Outras plagas, outros tempos

Brasília e Campo Grande | Anos 90

 

Caetano
Adriana Calcanhotto: Recital em bar sul-matogrossense


Dias atrás, inesperadas deixas me levaram a compartilhar, no Facebook, caras experiências em duas das cidades onde morei. Primeiro, citando entrevista com a cantora Adriana Calcanhotto, publicada no jornal Valor Econômico, comentei (linkando a foto acima) : 

“Lembro dessa Adriana (das reminiscências sobre apresentações na noite gaúcha), ainda no esquema ‘banquinho, violão & voz’, fazendo show no Camaleão, bar de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Estávamos aí no início dos anos 1990. Nessa época, o lugar era ponto de encontro de artistas e intelectuais e tinha como diretor cultural o artista plástico Humberto Espíndola, irmão de Tetê & Alzira.”

 

Caetano

“O Documentário”: Caetano Veloso nos dá entrevista sobre Torquato Neto

Depois, remexendo em arquivos para atualizar a seção de imagens de meu site, tive o impulso de publicar no Facebook a foto acima. A ideia era dividí-la com um contato meu na rede social, a cineasta Adriana Vasconcelos, que foi minha colega na Universidade de Brasília.

Fiz o registro em 1990, no quarto do Hotel Nacional em que se hospedavam Caetano (que iniciava nova turnê em Brasília) e sua mulher na época, a Paula Lavigne. O músico concordara em participar do filme que rodávamos sobre o poeta piauiense Torquato Neto. Tratava-se de trabalho final para a disciplina “O Documentário”, ministrada pelo cineasta Vladimir Carvalho. Sergio Cobelo, nosso colega na matéria, era o diretor e eu e a Adriana éramos as produtoras.

 

 

*