Memória expandida

Na edição de novembro da Revista da Cultura

Artistas e coletivos de fotógrafos encontram na passagem do tempo matéria e desafio para a criação de projetos que extrapolam os suportes tradicionais e, não raro, vão parar nas ruas

Foto de Usha Velasco

Foto do projeto O Olhar no Tempo, de Usha Velasco

De Brasília e de Belo Horizonte, mas com atuação também fora de suas cidades de origem (e, inclusive, do país), esses grupos de artistas e fotógrafos têm em comum o fato de encontrarem na passagem do tempo matéria para a criação. Seja pelo resgate da história dos indivíduos retratados, seja pelo uso de métodos próprios da arqueologia ou mesmo enquanto desafio para continuar produzindo coletivamente. Outra linha costura o trabalho de todos: vai longe a época em que eles libertaram a fotografia dos suportes convencionais, levando-a para fora das galerias, e, amiúde, imbricada com outras linguagens. Para ler a matéria na íntegra, >> clique aqui.

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Inspirados por Nise da Silveira

Revista da Cultura. Edição 86. Setembro de 2014

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Fotos por Bruno Veiga

Reginaldo Terra, um dos atores do Teatro de DyoNises. Foto: Bruno Veiga

Especial sobre Educação da Revista da Cultura deste mês vem com reportagem de minha autoria: Bravos discípulos – Dentro de instituição fundada há 103 anos, na zona norte do Rio, museu e série de projetos inovadores mantêm vivo o legado da psiquiatra Nise da Silveira. Para ler >> clique aqui.

Thaís Gulin : Entre o ninho e a estrada

 

Revista da Cultura. Edição 84. Julho de 2014

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Thaís Gulin fotografada por Luciana Whitaker

Fotos: Luciana Whitaker

 

Entrevistei a cantora Thaís Gulin para a edição de julho da Revista da Cultura. Entre um show e outro, a curitibana tenta concentrar energias na criação de canções de seu próximo disco. O álbum já tem alguns parceiros confirmados e a provável participação do músico Jorge Mautner, com quem a cantora volta a dividir palco em apresentações na Caixa Cultural Brasília, nos dias 24 e 25/7. Para ler a matéria na íntegra, >>clique aqui.

 

 

Os Gêmeos

 

Preparativos para uma nova mostra

Na Fortes Vilaça, a partir de junho

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Os Gemeos - Instagram

Os artistas em açãoFoto publicada no Instagram dos grafiteiros


A primeira vez em que estive com os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo foi, exatamente, nas dependências da Galeria Fortes Vilaça (em junho de 2006) para entrevista sobre a estreia dos grafiteiros no circuito de galerias de arte de São Paulo, com a mostra O Peixe que Comia Estrelas Cadentes. Agora, os grafiteiros se preparam para uma volta à galeria com nova exposição. A abertura está programada para o final de junho.

 

Na edição de agosto da Revista da Cultura

Entrevista com Flavio Colker

Nome ligado à cena artística dos anos 1980 e com trabalhos na coleção permanente do MAM/SP, o fotógrafo se dedica agora a projetos que incluem a volta ao cinema e o lançamento de um livro sobre a companhia de dança de sua irmã

Flavio Colker fotografado por Tomás Rangel

Em casa : De volta do México, o carioca posou para o fotógrafo Tomás Rangel

Quando concedeu esta entrevista à Revista da Cultura, Flavio Colker estava de malas prontas para voltar do México, para onde partiu no ano passado em busca de inspiração. Nessa conversa, ele faz questão de deixar claro que as fotos que selecionou para o livro que marca os vinte anos da Companhia de Dança Deborah Colker, dirigida por sua irmã, estão entre os muitos projetos que o movem neste momento. Até o mês passado, ele esteve com um trabalho exposto no Oi Futuro Flamengo. De inspiração surrealista, a instalação “O Artista” apresentava pontos de convergência com outro projeto há muito acalentado: o de um retorno ao cinema. Na lista, ainda, dos planos que já começam a ganhar corpo estão um roteiro de ficção com Fausto Fawcett, parceiro das antigas, uma série para TV e um ensaio sobre máquinas, paixão que ele traz da infância. Prolixo, intenso, interessado por híbridos e por tudo aquilo que não cede a rótulos fáceis, ele se diz cria dos anos 80, mas nem um pouco saudosista. O atual momento desse inquieto carioca talvez possa ser resumido em suas próprias palavras ao explicar por que a fotografia digital o arrebatou: “O importante é a gente fazer, mostrar, influenciar e ir em frente.

Espetáculo NÓ, em foto de Flavio Colker

, de 2005: Uma das imagens presentes no livro que comemora 20 anos da Cia. de Dança Deborah Colker

>Aqui, na íntegra, minha entrevista com o fotógrafo.

 

Metrópoles que se reinventaram por meio da arte

 

Na edição 69 da Revista da Cultura

 

Fui? 

Morro da Conceição :  Foto do projeto “Fui?”, do coletivo português 10pt – Criação Lusófona, integra mostra “De Porto a Porto”, que fica no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) até 19 de maio.

>> Clique para ler minha reportagem na íntegra.

 

 

Entre praias e museus, algo mais

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Instagramadas do período

Casa França-Brasil

RIO : Recorte do prédio em estilo neoclássico projetado pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny, na segunda década do século 19, e que teve muitas funções antes de passar a abrigar a Casa França-Brasil, a partir de 1990.

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Do meu Instagram

BRASÍLIA: Entrada do Museu Nacional Honestino Guimarães, um projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

Luciana Whitaker e Clarice Falcão

Making of: Luciana Whitaker fotografa Clarice Falcão para a Revista da Cultura. Sairam dessa sessão as fotos que ilustram minha entrevista com a multiartista recifense radicada no Rio. Seu primeiro álbum de estúdio deve chegar às lojas entre abril e maio.

Praia do Pepê Barra da Tijuca

RIO, Barra da Tijuca : Outro cair de tarde na Praia do Pepê

Entrevista com Clarice Falcão

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Na edição de março da Revista da Cultura

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Clarice Falcão

Recém-saída do estúdio, onde gravou seu primeiro CD, cantora já pensa em shows

Contabilizando incursões diversas por áreas como cinema, teatro e TV, aos 23 anos, Clarice Falcão já se vê às voltas com a necessidade de priorizar. O que pode significar deixar um pouco de lado atividades que lhe dão grande prazer, como escrever para televisão, a fim de se dedicar a outra não menos empolgante, a música. É possível que ela mude de interesses logo ali. Mas agora a moça tem exata noção do rumo que imprime à sua carreira.Foi assim, com foco apurado, que a filha do diretor João Falcão com a escritora e roteirista Adriana Falcão entrou em estúdio para gravar seu primeiro CD. Com 14 músicas – entre as quais cinco inéditas –, o álbum conta com colaborações luxuosas como a do violoncelista e arranjador Jaques Morelenbaum. | |  Leia a matéria na íntegra.

Texto: Adriana Paiva | Fotos: Luciana Whitaker.


 

Ciceroneando

 

Muito antes de a Devassa se espalhar por aí

 

Cervejaria Devassa

Copacabana : Filial da cervejaria na esquina da Rua Bolívar com a Avenida Atlântica

Brasília, atualmente,  tem duas filiais da Devassa. São Paulo outras quatro. Mas há não muito tempo, a cervejaria carioca que abriu as portas em 2002 era nome mais sugestivo do que conhecido. Daí não terem sido raras as vezes, nos últimos anos, em que levei amigos de outros estados para conhecerem o lugar. Entre esses, duas jornalistas vindas de Brasília.

Antiga moradora da capital federal,  à paulista do interior A., que havia muito tinha o Rio em seu itinerário, levei até a filial da Prudente de Morais, depois de um jantar no Zazá Bistrô, também em Ipanema. Cerca de ano e meio depois, a poucos dias do início do verão, foi a vez de apresentar a paulistana C. à peculiaríssima carta de cervejas do lugar, em encontro marcado na Devassa da Bolivar, em Copacabana. Então recém-chegada de quase década morando no exterior, ela, que já tinha tido a curiosidade atiçada pelo nome da cervejaria, saiu dali cheia de amores por uma certa Sarará .

 

Updated :

* Crônica de Links Anunciados

Por Adriana Paiva

Havia programado outro assunto para minha segunda coluna na PicturaPixel reformulada. A entrevista, aliás, fora feita na véspera. Novas situações e o frescor de um recém-encontro me fizeram mudar de ideia.
Vou escrever hoje sobre a divertida noite de bate papo com Anamaria Rossi, sexta-feira passada, em Ipanema.
Aqui mesmo, em comentários ao texto de estreia de Anamaria, contei como esse encontro, que tinha tudo para ter ocorrido vinte anos atrás, na UnB, até a última sexta-feira, só tinha acontecido virtualmente e via PicturaPixel.
O local para o tête-à-tête já estava escolhido e reservado havia alguns dias: Zazá Bistrô Tropical. Mandei à Ana um SMS confirmando: “Zazá, sexta, 20h, varanda”.
Ligaram o local a outros personagens? Sim, trata-se daquele mesmo Zazá, em frente ao qual encontrei, casualmente, a fotógrafa Silvia Izquierdo, da Associated Press, na terça-feira de carnaval.
Chego um pouco antes de Ana. Ela já tinha me avisado que se atrasaria em função de um compromisso de trabalho que a segurara no centro da cidade mais que o previsto. Enquanto a aguardo, folheio a carta de bebidas e sem mais elaborações, peço: — Por favor, um Zazá Fresco.
Fresco. Palavra mágica. Quase sinto a brisa girando em torno de minha nuca. Frescor, leveza. Tudo pelo que essa sexta-feira quente urgia.

Quando Ana chega ao Zazá, encontra-me refestelada no sofazinho entre dois grupos de estrangeiros. “Refestelada”, bem…sou eu dando voz à minha porção adoradora de hipérboles. Eu havia, sim, terminado meu drinque, mas mantinha idêntica compostura de horas antes, quando ainda trabalhava diante deste notebook.
Rápido decidimos que não participaríamos do congraçamento multilingue com os vizinhos de mesa. Mudamos para uma das mesinhas instaladas rente à grade da varanda que dá para a rua. Sentada à minha frente, com o cardápio na mão, Ana escaneia meu rosto e larga sem rodeios: — Ah, lembro, sim, de você… da UnB.
Eu, que já tinha visto fotos suas, fico com a sensação ainda mais forte de tê-la visto, pessoalmente, antes; se não na UnB, em algum lugar em Brasília — parêntese importante: morei na cidade em cinco diferentes ocasiões, o que soma quinze anos.
Espero Ana escolher petiscos. Estou sem fome e sem inspiração para fazer opções. Ambas concordamos acerca da escolha recair sobre algo leve. Recém-chegada de temporada momesca no Nordeste, Ana, de cara, descarta a “espetada de queijo de coalho”. Apóio, aliviada. Considerando o fato de eu não comer carne – exceto peixe e alguns frutos do mar–, a escolha final atende bem às duas. Anotem para futuras incursões pela Ipanema dos bons acepipes:”Degustação de Quatro Delícias”: Samosas (mini-pastéis indianos), tartar, ceviche e tapioca.
Agora, dos deuses, dos deuses mesmo, estava a pasta de wasabi que acompanhava isso tudo. Mal iniciamos a degustação, o chef, que gentilmente nos explicara detalhes de cada uma das “delícias”, vem brindar-nos com uma cesta de crisps de batata baroa. Pronto! A companhia que faltava para a pasta dos deuses e para o meu segundo drinque (à base de carambola).
Seguimos cruzando dados do passado. E assim, desfilam pela mesa referências a várias das Brasílias que vivi naqueles quinze anos, entre idas e voltas: UnB, CO, PD (abreviaturas de cuja tradução os pouparei), corujas do cerrado, sannyasins, Ladrões de Alma, Teatro Oficina do Perdiz, Martinica Café…
E vamos, entre goles em nossos drinques, petiscos e gargalhadas, até que um estrondo vindo da esquina nos interrompe. Viramos para olhar e, bem perto dali, o que se vê é uma moto deitada no chão e o ônibus que, aparentemente, a havia derrubado, se preparando para deixar o local . Todo o desenrolar da situação se dá muito rapidamente. Percebemos que a vítima, uma jovem motociclista, é socorrida por passantes e não aparenta ter se ferido mais do que superficialmente.
Tudo bem (ou quase) e lá vamos nós, de volta ao passado. E ainda passam pela mesa Adriano Faquini, Mila Petrillo, Carlos Chagas, Sergio Dayrrell Porto…
Dali a pouco, outro alvoroço. E dessa vez, na nossa mesa ! Ana salta da cadeira e posta-se ao meu lado, falando alto: – Uma barata!
Ela repete enquanto sacode o vestido: – Uma barata andando em cima de mim!
Custo um pouco a processar o que está acontecendo até que Ana pede que eu investigue seus trajes em busca da pavorosa. Para minha sorte, mais que para a de Ana, nada encontro. Continuo de costas para a maioria dos presentes no bistrô e não me volto, para ver como reagem. Vou conseguir fazer isso, ainda aturdida e sem parar de rir, apenas quando Ana se senta novamente e, olhando na direção das três mesas repletas de estrangeiros do outro lado, diz, com uma das mãos fechadas:– Cu-ca-ra-cha!
E, mais veemente, levando as duas mãos em direção ao colo e aos ombros, como se tentasse descrever o trajeto
da intrusa:– Uma cucaracha!!
Agora, ao olhar os rostos assustados nas mesas atrás de nós, a sensação que me invade é de estar naquela sequência de “Victor ou Victoria” (de Blake Edwards), em que o casal de amigos (interpretados por Julie Andrews e Robert Preston) bola uma situação para saciar a fome sem desembolsar tostão. A ideia: introduzir no cenário de um bistrô, em Paris, um desses abomináveis insetos e fingir tê-lo encontrado na comida. Delírio, claro, de minha mente povoada por referências. Eu e Ana estávamos muito bem apresentadas. Pagamos a conta, a propósito, em espécie e essa ficou bem salgada, considerando o que consumimos (três drinques, uma água e a mini-sequência de ‘maravilhas do sétimo céu’).


Não se apressem em julgar mal o estabelecimento aqui citado. Não deixaria de ir ali por conta de um incidente como o que relato acima, totalmente alheio à condução do negócio — e que, aliás, poderia ter ocorrido em qualquer outra situação em que estivessem conjugados calor, mesa perto da rua e de árvores, etc..
Mas, não esperem muito mais nobreza de atitude de mulheres que, desde sua mais tenra infância, vem sedimentando um comportamento insano ante a visão dessas terríveis “periplanetas americanas”, nome científico — até que charmoso — das horrorosas aladas.
Assim, com a memória refrescada pelos acontecimentos recentes, decidimos deixar o Zazá e seguimos a pé até a Devassa, a quadras dali. Claro que a noite já estava ganha.

* [ Crônica publicada, originalmente, na revista Pictura Pixel ]