Sobre posicionamentos

Já nem lembro em que momento dos anos 2000 deixei de prestar atenção à programação da TV aberta. Mas, desde que a OMS declarou, em março de 2020, que o mundo vivia uma pandemia, tenho assistido, com alguma frequência, ao JN da Rede Globo. No sábado (19/6), em especial, liguei no telejornal sobretudo para verificar como seriam repercutidas as manifestações do #19JForaBolsonaro. Está fresca na memória a cobertura pífia dos protestos de 29 de maio por parte da grande imprensa local. À exceção da Folha de S.Paulo, que deu destaque em sua capa, no dia seguinte (Milhares saem às ruas contra Bolsonaro pelo país), foi a mídia estrangeira que acabou fazendo uma cobertura mais aprofundada.

Voltando ao Jornal Nacional. Para além dos protestos que voltaram a tomar as ruas do país no sábado, forte editorial, sem dúvida, o lido por Renata Vasconcellos e William Bonner, no momento em que ultrapassávamos a trágica marca de mais de 500 mil vidas perdidas para a pandemia: “O sentimento é de horror e de uma solidariedade incondicional às famílias dessas vítimas. São milhões de cidadãos enlutados. Hoje, é evidente que foram muitos – e muito graves – os erros cometidos. Eles estão documentados por entrevistas, declarações, atitudes, manifestações”, destacou Bonner, enumerando: “a aposta insistente e teimosa em remédios sem eficácia, o estímulo frequente a aglomerações, a postura negacionista e inconsequente de não usar máscaras e, o pior, a recusa em assinar contratos para a compra de vacinas a tempo de evitar ainda mais vítimas fatais.” E, mais adiante, continuou a parceira de bancada: “Quando todos nós olharmos para trás, quando nos perguntarem o que fizemos para ajudar a evitar essa tragédia, cada um de nós terá a sua resposta. A esmagadora maioria vai poder dizer, com honestidade e com orgulho, que fez de tudo, fez a sua parte e mais um pouco.

Não menos incisiva foi a nota divulgada pela ONG Rio de Paz, no domingo (20), concomitantemente à ação, na Praia de Copacabana, em memória das vítimas da Covid-19: “Temos mais de meio milhão de brasileiros mortos, um número incontável de enlutados, vítimas que sobreviveram carregando sequelas e milhões de famílias convivendo com o temor da morte por falta de vacina“, pontuou Antonio Carlos Costa, presidente da organização.

“Milhões de brasileiros mantiveram-se calados diante do péssimo exemplo do presidente da República”, continuou Costa, apontando responsabilidades. “Bolsonaro teria sido freado há muito mais tempo se não fosse a cumplicidade fanática dos que lhe dão apoio político”.

Concluo este reproduzindo aqui desabafo que escrevi no meu Instagram, em 2 de junho, enquanto acompanhava sessão da CPI instaurada no Senado para investigar os crimes cometidos na gestão da pandemia:

Em contraste com o depoimento tíbio e repleto de contradições, dado ontem à #CPIdaCovid, pela oncologista Nise Yamaguchi, a exposição objetiva e técnica da médica infectologista Luana Araújo corrobora, com ainda mais força, o que já se suspeitava: a Saúde do país esteve (e, tudo indica, ainda está) completamente a cargo dos caprichos insanos de Jair Bolsonaro. Como a cientista deixou transparecer, em seus primeiros minutos de fala, o ministro Marcelo Queiroga não teve autonomia sequer para fazer valer a sua nomeação. Certamente porque, também aventaram alguns senadores, sendo Luana uma crítica feroz do famigerado tratamento precoce, a escolha teria esbarrado no crivo do tal “gabinete paralelo” — ou seja, os lunáticos que assessoram o lunático-mor. O atraso deliberado na aquisição de vacinas somado à insistência na adoção de fármacos sem eficácia comprovada contra a COVID-19 já havia deixado patente, alguns depoimentos atrás, a estratégia criminosa do governo, ao apostar tudo na “imunidade de rebanho” por infecção, fazendo de nós, cidadãos brasileiros, todos cobaias. Não posso absolutamente conceber que ainda haja um ser humano (digno de assim ser chamado) capaz de defender esse crápula. Desalento quase tão robusto quanto o de ainda não ter sido vacinada tenho ao vislumbrar que um impeachment está longe de encontrar suficiente apoio no Congresso Nacional. Aliás, face a todos os crimes cometidos até aqui pelo homúnculo travestido de presidente da República, há algum tempo tenho pensado que impeachment seria um castigo muito, muito brando.

* * *

 

A UnB de nossos manifestos juvenis

[ Da série: ‘Arquivos Brasilienses’ ]

O ano em que, por pouco, não vimos uma viralata tornar-se reitora

histórias de Brasília Bsb história FAC comunicação Geni a cãdidata cães viralatas SRD

Campus da Universidade de Brasília (UnB): A mascote Geni “posa” ao lado do DCE. ‘Cãdidatura‘ da viralata à reitoria ganhou fôlego a partir dos centros acadêmicos 

 

Estávamos em 1993,  pouco tempo após o meu segundo ingresso na UnB (dessa vez, para cursar Jornalismo) e em época de eleições para a reitoria.

Não recordo das circunstâncias exatas que envolveram a iniciativa de lançar a viralata como candidata a reitora. Ouvi quem afirmasse que a ideia teria sido gestada dentro do DCE, mas também quem dissesse que teria partido do pessoal do CAFIS, o Centro Acadêmico do curso de Física.
Concebida para encarnar o voto de protesto – no mais galhofeiro estilo “macaco Tião” -,  fato é que a candidatura da cã bonachona deixou o campus em polvorosa, com as ações criativas promovidas pelo pessoal dos centros acadêmicos, vindo, inclusive, a ser destaque em vários veículos de imprensa.

Foto pde Adriana Paiva

*

Algum tempo depois de “concorrer” à reitoria, Geni também foi parar na capa do “Agnaldo”, suplemento cultural de nosso semestre de Campus (o jornal-laboratório do curso de jornalismo da FAC), ao lado de acontecimentos e personagens de destaque da cena brasiliense, como o Maskavo Roots  – em sua primeira formação; a que tinha como guitarrista o Carlos Pinduca, fundador da banda e meu colega na disciplina ‘História da Imprensa’ (ministrada pelo saudoso Carlos Chagas):

jornal bandas brasilienses de garagem capa do suplemento Agnaldo do Campus

*

Falando, ainda, em reitoria, informações que já quase me escapavam: Ao longo de meus dois ingressos na UnB, tivemos três diferentes reitores: Cristovam Buarque, Antônio Ibañez Ruiz (que chancelou minha mudança de curso, da Antropologia para o Cinema) e João Claudio Todorov (por dois mandatos).

*

| Outras notas brasilienses:

*  + Universidade de Brasília * Meus endereços na capital federal * Brasília, 56 anos  * Bsb: 54° aniversário * Brasília aos 53  * Recuerdos digitalizados  * Pelas mesmas ruas onde aprendi a dirigir * Retratos em preto e brancoNotas do Clã * Arquivos de andanças * Razões para retornar a Brasília *

* * *

A soma de todas as insatisfações

 

E outro tanto de circo e carnaval

De uma ida ao centro do Rio e a surpresa de encontrar uma manifestação no meio do caminho

.

manifest_camara_exibidos31ct800ss

Escadaria da Câmara Municipal do Rio: Reivindicações legítimas e exibicionismo

Ontem (24/6), no meio da tarde, passei pela frente do CCJF (fechado às segundas-feiras) e encontrei as portas e janelas cobertas por tábuas. No portão, perguntei ao guarda se as manifestações haviam deixado muitos prejuízos. Ele me disse que não e que a medida dos tapumes era apenas precaução, já que o prédio tem grande valor histórico e havia rumores de que uma nova manifestação aconteceria dali a pouco. Sem perceber na circunvizinhança nenhum movimento que sugerisse que haveria mesmo alguma manifestação por ali (depois soube que os manifestantes estavam na Candelária), atravessei a Rio Branco em direção à Livraria Cultura, que também já começava a baixar portas – a exemplo de boa parte do comércio das redondezas. Fiquei pouco tempo por lá. De volta à Praça Floriano, resolvi sentar no Amarelinho para tomar alguma coisa. Aí eram perto de cinco e meia da tarde. Paguei a conta e me levantei para pegar o Metrô. No que me encaminho à estação, olho para a direção do Theatro Municipal e vejo dois grupos de PMs ladeando-o em cada uma das esquinas. Claro que desisti de voltar pra casa. Do contingente de policiais multiplicar-se à chegada de hordas de fotógrafos, foi um pulo. Quando olhei em torno, a Avenida Rio Branco já estava fechada ao trânsito e a Cinelândia lotada. Segundo estimativas da Polícia Militar do Rio de Janeiro, estiveram na manifestação cerca de 2 mil pessoas.

>> Veja outras imagens no meu perfil, no Facebook.


Outros vinte

 

Acabo de publicar no meu perfil do Facebook

juventude estudantes secundaristas universitários ruas protestos manifestações
“Fora, Collor”: Manifestação de estudantes no centro da capital sul-matogrossense

Lembrando que, há exatos vinte anos e um dia, em 29/9/1992, tinha início o processo que culminaria no impeachment do então presidente da República Fernando Collor de Mello. E eu estava lá, entre os caras-pintadas, jovenzinha e transbordante de otimismo.