O que restou do Flickr ?

 

Reflexões que vêm daqui

 

Em meio à clara deterioração do aspecto social do site de compartilhamento de imagens

Flickr Adriana Paiva

 

Que terra inóspita virou o Flickr. Renovei minha conta PRO apenas para não ter qualquer preocupação sobre a quantidade de fotos que me aprouvesse publicar ali – embora nem precisasse, dado o espaço (surreal) de 1 TB a que qualquer usuário tem direito. Já sinto que joguei dinheiro fora. Sensação que se adensou, dia desses, depois que, sob uma foto que publiquei, outro usuário deixou um extenso e confuso texto de cunho alarmista. Primeiro, advertindo-me a assinar minhas próprias fotos (algo que, invariavelmente, faço). Depois, pretendendo me informar que as mesmas poderiam ser utilizadas para a criação de “perfis fake” e dando a entender que eu já teria sido vítima de um desses golpes. Escrevi-lhe, inbox, pedindo para que fosse mais específico e ele não respondeu. Atitude que só fez aumentar minhas suspeitas sobre suas reais intenções ao deixar, em minha página, um comentário enorme, repleto de links, e naquele tom paternalista-mandão – comentário esse, devidamente removido.

Lembrava, vagamente, do nome do autor da pichação histérica, de uma época em que fui mais assídua no site, e resolvi saber algo mais sobre essa figura que age como se fosse o secretário geral de segurança do Flickr. Descobri que é contador de profissão e que “administra” diversos grupos com temas relacionados ao Rio de Janeiro. Grupos, aliás, que ele toca como se fossem feudos e com aquela ilusão de poder típica dos coronéis do cotidiano: se não acatam as minhas regras, docilmente, e não rendem loas às minhas fotos, neste grupo, suas imagens não entram ! Postura, afinal, congruente com a de um sujeito que, no texto introdutório de seu perfil, usa citações de Cartier-Bresson e do papa Francisco e, não sendo bastante a presunção, ainda orienta seus contatos a, quando deixarem comentários em suas fotos, a fazerem o favor de não recorrerem a clichês.

Nas minhas lembranças de habitué antiga do site, lá pelos idos de 2006, havia bem menos egolatria e muito mais cordialidade do que tenho visto agora.

 

 

O que ainda se cria ?

 

Não basta dar corpo à ideia que se copia
 

Desconcertante descobrir que uma conhecida dupla de profissionais paulistanos (ela arquiteta, ele fotógrafo), resolveu usar em uma de suas produções título também inspirado no filme “Alice nas Cidades”, do Win Wenders. Que o fotógrafo em questão tenha uma atitude dessas nem me surpreende. Recordo da época em que ele ainda mantinha um site de fotografia e usava ipsis litteris posts que eu publicava no Periplus e no Foco Seletivo.
Bom, não pretendo me estender a respeito. Seria de um tacanho e de uma perda de energia a que já não me presto. Fica o registro.