Da série: “Arquivos de Andanças”

Revendo trajetórias

“Pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele diga sim a seus pais como eles são”

(Bert Hellinger)

Se eu já era cuidadosa em relação aos meus backups, tornei-me três vezes mais depois de passar por uma (ainda não digerida) perda de arquivos fotográficos.
E eis que, no movimento de encontrar (e, aos poucos, reparar) imagens do Periplus, meu primeiro blog – até recentemente, hospedadas em um de meus domínios -, deparei com um post em que eu relatava um reencontro com colegas jornalistas, ocorrido em São Paulo, logo após eu me mudar para lá. Fez-se, então, a deixa perfeita para eu retomar o assunto aqui.

Banner do Periplus - Em japonês - hirakana e katakana
Comentando o “deslize” cometido por uma das pessoas presentes àquela reunião, escrevi em certa altura: “Não era-lhe de conhecimento o fato de que soldados não chegam a coronéis. Dado aparentemente irrelevante. Mas, num país onde o alistamento militar é obrigatório, não seria duplamente imperativo que nosso repórter estivesse a par de questões como essa?
Então. Imaginem ter de explicar para um jornalista, com idade perto dos 30, o que significa, para essa carreira em especial, o seu pai ter cursado AMAN. Logo eu! Difícil de acreditar, mas eu precisei fornecer tais explicações para um cara que chegou a frequentar festa na casa da minha família, em Campo Grande (MS), justo na época em que meu pai, então coronel, comandava um quartel na capital. O mesmo indivíduo que, algum tempo depois do comentário jamais explicado, eu soube estar frilando para um jornal de São Paulo.

Papai: Condecorado em 1995, Colégio Militar, Prova de salto na AMAN

Meu pai em 3 tempos: A partir do alto, no sentido horário: Em 1958, com 12 para 13 anos, aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte ; em 1967, participando, como cadete, de uma prova de salto na AMAN; e em 1995, aos 50 anos, condecorado, como coronel, na mesma cerimônia em que, coincidentemente, meu ex-professor de História da Imprensa (FAC/UnB), o jornalista Carlos Chagas (na 2.ª fileira), também era homenageado.

Pouco converso sobre o assunto, mas não teria como ignorá-lo. Afinal, trata-se de minha filiação. Meu pai chegou ao topo da carreira, tendo cumprido, com honrarias, todo o percurso a partir do Colégio Militar: entrou na AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras (o equivalente em termos civis, a uma universidade), fez EsAO, ECEME, comandou quartéis, como major e, depois, como coronel…
Ou o coleguinha, lá atrás, era pouco informado sobre o meio (do que duvido muito) ou agia de má fé, opção que reputo como a mais provável. Bem, mas essa é uma outra história. Não faz sentido ocupar o espaço do meu blog com considerações sobre a motivação (e os complexos) de quem eu mal conheço.

Percursos dos pais, escolhas dos filhos

Lembro da primeira vez em que me senti constrangida por ser filha de militar. Eu era adolescente e cursava a primeira série do Segundo Grau numa escola particular de linha progressista, em Botafogo. A situação não poderia ser mais banal: minha carteira de identidade caiu no chão da sala de aula. O garoto que sentava-se ao meu lado viu e pegou-a, às gargalhadas e com um comentário mais ou menos nestes termos: ‘Olha só, gente, ela é filha de major!‘ — o RG emitido pelo então Ministério do Exército trazia impressa a patente do pai do portador.  Embora perdoado, o bullying continuou reverberando muito tempo depois. Mas foi ali, naquela escola da zona sul carioca, em meio a aulas de Sociologia da Educação e práticas artísticas, com professores por quem eu nutria enorme fascínio, que eu comecei a ter a real dimensão da triste herança deixada pelo regime militar. Daí porque, alguns anos depois, tenha ingressado na universidade esperando que esse viesse a ser um assunto particularmente incômodo. Chegava a antever os dedos em riste. Mas não foi o que ocorreu. Pelo menos não em minhas duas passagens pela UnB. Talvez tenha pesado o fato de que éramos ali, em um grande número, alunos vindos de outras cidades, vivendo em Brasília sobretudo em função das profissões de nossos pais. E por que mesmo interessaria saber a profissão dos progenitores dos seus colegas de turma?

Mas se eu, a partir da adolescência, passei a me sentir desconfortável com o fato de ser filha de militar, de lá para cá, tenho conhecido pessoas que relacionam-se com a sua filiação de maneira bem mais serena – gente, inclusive, com quem compartilho semelhantes ideais progressistas.

Nesse grupo, ouso incluir o fotógrafo Luis Humberto, de quem fui aluna na UnB. Conheci-o na época em que eu estava pleiteando mudança de curso, de Antropologia para Comunicação. Não demorou a que eu descobrisse que ele também era filho de militar. Antes e depois de meu ingresso na FAC, chegamos a conversar, muito abertamente, sobre as implicações de ter pai “milico” e de como essa nossa origem se refletia em nossas escolhas – para o bem e para o mal. Eu concluía ali que, para lá das diferenças geracionais (meu pai nasceu em 1945) e das trajetórias dentro das Forças Armadas, nossos pais tinham muito em comum. Em termos de formação intelectual e cultural, mas, sobretudo, no que dizia respeito a aceitarem as opções que fazíamos, por mais heterodoxas que pudessem se revelar. Entendia, então, que éramos ambos filhos de homens em nada parecidos com a imagem (ainda hoje) bastante difundida do militar inculto e reacionário.

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Ainda clima e Notas do Clã

 

Updated

 

Praia do Arpoador

WhatsApp, 13/6: Minha irmã, recém-chegada de Curitiba, mandando um alô direto de Goiânia

As temperaturas pelo país andavam enlouquecidas assim quando minha mãe e minha irmã foram a Curitiba festejar o aniversário de meu sobrinho.
Vasculhada rápida em meu baú de reminiscências climáticas… Mais surreal do que 14°C em Goiânia? Peraí. Acho que apenas a visão de mulheres andando de cachecóis e polainas durante a estação de chuvas, em Belém, quando moramos lá em meados da década de 1980. Para nós, vindos, então, do Rio de Janeiro, a chuva em plagas paraenses em nada mitigava o calor “aderente” ao qual eu mesma nem cheguei a ter tempo de tentar me habituar. Moramos lá durante pouco mais do que um ano e meio.

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Tiago Brasília 193 Norte


Tiago, o garotinho fofo das fotos acima, em nosso antigo apartamento na 103 Norte, à semelhança desta tia que aqui escreve, também cedo se habituou a frequentes mudanças de cidade. Depois de algumas idas e vindas pelo Brasil, aos 11 anos, ele foi morar em Caracas, na Venezuela. Recentemente, aos 20 e poucos — lembrando algo de meus arroubos nessa idade –, deixou para trás a faculdade na UnB, para prosseguir com o curso de Engenharia da Computação na PUC de Curitiba. E, agora, se prepara para uma temporada de seis meses em Santiago do Chile. A  startup  que ele criou em parceria com colegas de curso foi selecionada para um “programa de aceleração” na cidade. Do lado de cá, orgulhosa por ele continuar trilhando caminhos nos quais acredita, desejo-lhe SORTE.

 

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Brasília: 56 anos

 

Minha homenagem

Com trechos de post publicado em 2002,  no meu 1° blog,  o Periplus 

Brasília

Privilégio de ter vivido o lado mais “cidade” da capital da República.

Estávamos no início dos anos 2000 e eu me pegava revolvendo lembranças da década e meia em que, entre idas e voltas, morei na cidade : 

“(…)  O primeiro sobrevoo pelo ocre saturado do Planalto Central. As chuvas perfumando tudo depois dos duros meses de estiagem. O céu azul-púrpura e o horizonte amplo. A arquitetura de arestas. As vastas galerias e avenidas. Aprender a dirigir por essas ruas. A tentação da velocidade…
Nossa “secreta”, a baiana Joana. Seus quitutes pontuais. Judy, minha Lulu da Pomerânia. Preta, a vira-lata do coração. As ‘creonças’ aprendendo a cavalgar no RCG. Detestar as aulas. Ver meu pai jogar pólo. Fazer natação no Círculo. Os arraiais de São João. As visitas de meus avós durante as férias. O casamento da Cris, minha irmã. O nascimento de meu sobrinho Tiago.

Webster, meu professor de violão, e Verinha, sua namorada. Martín, Go, Leda, André, Carla, amigos e conselheiros. Valéria Velasco, mãe da Usha e minha primeira editora no Jornal da Comunidade.
As festas que organizávamos no Park Way. Fechar todos os bares da 108 / 109 sul, em cantorias desatinadas com a turma da FAC.

Deixar de comer carne, aos 15 anos. Ir ao Jegue Elétrico para comprar a “Transe” e os discos do pessoal do “Lira Paulistana”. Domingo de ‘prasada’ no Hare da 508. Fim de tarde no Café Martinica, a metros da minha casa. O pão de queijo e o bolo “peteleco” do “Furão ” (fechado há anos), na 102 norte. As tortas da Praliné e da Francesa.
Ir a todos os espetáculos no Teatro Nacional. Encontrar a Sala Villa-Lobos sempre lotada. Conseguir lugar nas primeiras filas. 
Devorar quadrinhos na gibiteca da 508 Sul. Expor na Athos Bulcão .

UnB : Os amigos de faculdades. Usha, amiga desde “Fotografia e Iluminação 1”, com o David Pennington. A primeira moviola. As aulas de “Direção do Filme”, com o Pedro Jorge Pinto. Gravar em um circo, nas proximidades de Bsb, uma adaptação do “Artista da Fome” ( conto do Kafka), para a disciplina do Pedro Jorge. Ir com coleguinhas à primeira expo do Salgado — no DF, claro. Os Ladrões de Alma. Viajar para Pirenópolis no ônibus ferrado da FUB, para fazer o ensaio final em “Introdução à Fotografia”. Jeová, criatura santa que trabalhava como laboratorista na FAC. “Seu Tonho”, servente nota 10, alegrando a galera retardatária no final de semestre.
Alice Tamie Joko (Arice Sensei), minha primeira professora de japonês. Cantar no Tanoshii Tori. As aulas de “Cultura Japonesa”, com o Marcos Vinícius. Aprender ikebana e sumi-e, no NEA(SIA) . As farras do Enecom. Os shows de Célia Cruz, Fito Páez, Cássia Eller, etc., no FLAAC.
As horas infindáveis devorando todas as edições da “Graphis”, mais a obra do Borges e do Kafka, na BCE. Os 6 ou 7 livros emprestados semanalmente na biblioteca .
Ir praguejando até o C.O. para fazer PD1 e PD2. Encontrar corujinhas nas árvores do caminho.

Os inesquecíveis interlocutores. Os múltiplos gozos intelectuais. Ver e ouvir: Adélia Prado, Washington Novaes, o bispo Desmond Tuto, Ferreira Gullar, Roberto Freire ( os 2 :-) Receber os toques do mestre das artes gráficas, Wagner Rizzo . Fazer o still daquele documentário sobre o Torquato Neto. A entrevista que o Caetano Veloso  nos concedeu no Hotel Nacional. Aprender a fazer roteiro para cinema. Ter alguns guardados na gaveta.
Ter sido aluna, também, de: Vladimir Carvalho (O Documentário), Carlos Chagas (História da Imprensa), Roque Laraia  (Antropologia 3),  Susana Dobal (Introd. à Fotografia ), Cristina (Inglês 1 e 2), Maria Auxiliadora (Linguística), Ferreirinha (Teoria da Literatura), Esther, Maria Rita Leal, Luís Humberto, Climério Ferreira… Adoraria rever todos vocês. Ouví-los, abraçá-los. Saudade.”

+ Ainda Brasília – Celebrações outras: O aniversário de 54 anos e o de 53.  

Brasília carnavalesca

 

Mais uma dos arquivos

 

Pacotão chega à W3 Sul

Why so serious? :  Bsb 90’s

 

De um Carnaval em que fui atrás do Pacotão, bloco fundado por jornalistas e um dos mais tradicionais de Brasília. A concentração acontecia em frente ao Bar do Chorão, próximo à quadra onde eu morava, na época.
No momento em que fiz a foto, devíamos estar nos aproximando do final do percurso, na W3 Sul. Creio que o ano era 1993.

 

Foto por Adriana Paiva © 

Brasília em preto e branco

 

Via Instagram

 

Centro do Plano Piloto

Plataforma Rodoviária, o centro do Plano Piloto, e seus múltiplos apelos visuais. Lembro que meu primeiríssimo ensaio para uma disciplina de fotografia, na UnB, saiu desse pedaço da cidade. Tendo morado em duas quadras da Asa Norte (102 e 103) e em outras duas, na Asa Sul (112 e 209), fato é que quase nunca passei por aí indiferente ao que ocorria no entorno… #bsbnotas.

Museu Honestino Guimarães

E há essa Brasília que sempre me surpreende. Registro de viagem feita em 2011.

Museu Nacional

Para fechar mais uma série #bsbnotas. Supremo Tribunal Federal. Diante do prédio projetado por Oscar Niemeyer, “A Justiça”, escultura em granito de Alfredo Ceschiatti.

Minha homenagem ao mestre do flamenco

 

Via Facebook

 

PACO DE LUCÍA está inscrito no rol de minhas grandes paixões juvenis. E sempre me remeterá à época de ter vinte e poucos anos e ainda estar tão entusiasmada pela Antropologia. Ou à descabida pretensão de emulá-lo em meu humilde Di Giorgio 28, entre uma e outra aula de violão. Paco de Lucía parte jovem demais.

 

Seleções dominicais

Lá no Deezer

Charly Garcia - Bilboard AR

Charly Garcia: Em agosto, o músico foi capa da edição de lançamento da Bilboard argentina

 

E porque o domingo também pode ser de incursões jurássico-musicais. Ouço, justamente, Los dinosaurios, do Charly Garcia. E lembro da primeira vez que vi sobre um palco essa que, então, me pareceu a mais estranha, tresloucada e interessante das figuras. Isso foi em 1989, durante uma das edições do FLAAC (Festival Latino-Americano de Arte e Cultura). Rara época em que, morando em Brasília, não desejei estar em outro lugar.

 

>> Mais de minhas playlists.

Porque hoje ela aniversaria

Brasília, 53 anos

Instagramada especial : Abaixo, uma seleção de imagens publicadas no meu perfil, nas três últimas semanas.

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Bsb

A terra vermelha, a árvore retorcida, as linhas arquitetônicas de Niemeyer, três símbolos tão conhecidos dos brasilienses, apenas para saudar: Parabéns, Brasília, pelos seus 53 anos.

 

Bsb

Nem o mais tímido dos turistas abre mão de uma foto em frente às obras projetadas por Oscar Niemeyer. Aí a Catedral Metropolitana de Brasília, inaugurada em maio de 1970 — e reinaugurada após reformas, em dezembro do ano passado.

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Bsb - Do meu Instagram

 Congresso Nacional : Visto pelos fundos, em um dia de nuvens carregadas

 

Bsb

Museu Nacional Honestino Guimarães: Mais uma obra concebida por Oscar Niemeyer

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Bsb - Do meu Instagram

No foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro: “A Contorcionista”, escultura em bronze de Alfredo Ceschiatti

 

Fotos por Adriana Paiva ©

 


Recuerdos digitalizados

 

Ou : Sobre o que você cogitava fazer, mas não fez

 

Família japonesa - Adri - Japonês

Encontrei o acima em uma de minhas muitas pastas de papéis e resolvi digitalizar.

Rabiscos, com caneta esferográfica, que eu fazia durante alguma aula da UnB, já nos estertores da minha fase de fixação nipônica. A essa altura, já eram quase todas páginas viradas : os dias de habitué do templo budista da 316 Sul, minha experiência como mezzo-soprano no coral Tanoshii Tori (‘Pássaro Alegre’, no idioma do país do sol nascente), meus 4 ou 5 semestres de cultura e língua japonesas e as aulas de sumi-e e ikebana.

Estávamos em 1993. E embora meus devaneios sobre uma vida no Japão já não fossem mais tão coloridos (ou presentes) quanto na época em que eu ingressara no curso de Antropologia, meu namoro com o design e a ilustração seguia firme. Desde então, mesmo eu não tendo me empenhado em aprender a desenhar, a paixão pelo assunto em nada arrefeceu.

Ilustração por Adriana Paiva ©

 

 

Caramella, um vizinho do Martinica

 

Café na 303 Norte

 

Caramella - Bsb SCLN 303

Mesas da cafeteria começam a lotar no final da tarde

A casa abriu no segundo semestre de 2011 e na ponta oposta àquela onde em meados dos anos 1990 fervia o Martinica Café. Não chega, ainda, a atrair o público deste último — na época em que fui assídua ali (e morava perto), o Martinica era ponto de encontro rotineiro com meus colegas da Universidade de Brasília (UnB) e um local bastante frequentado por artistas e intelectuais da cidade.

Se o Caramella virá um dia a herdar o público que lotava as mesas do vizinho é o que menos importa. Por ora, vale a visita para um café da manhã ou brunch (o bufê é renovado até às 14h) ou mesmo para o chá da tarde, servido em igual esquema até às 21h. Prefira as mesas externas.

Afora as diversas opções de pães, frios, sobremesas, frutas e bebidas, há ainda os bastante procurados waffles, preparados na hora e cobrados como parte do bufê. No que tange a atendimento, tanto os funcionários que recebem pedidos no balcão quanto os que vão às mesas são bastante atenciosos e ágeis.

A nota negativa vai para soluções com ares de improviso, típicas de casas recém-inauguradas. Cito a que vi quando estive lá há pouco mais de um mês (ou seja, bem depois de a casa começar a funcionar): a cobertura de alguns dos pratos com alimentos era feita com uma espécie de plástico-filme. Convenhamos, há modos bem mais eficazes de fazê-lo, após cada cliente se servir. Sem falar que nesse tipo de negócio apresentação é tudo.


Serviço

Caramella – Confeitaria e Cafeteria


Café da manhã – Horário: 7h30 às 14h | Chá da tarde: 14h às 21h
Valores: Seg a sex : R$ 16,50 | Sábados, domingos e feriados: R$19,90
Obs.: (Crianças até 4 anos não pagam. Crianças entre 5 e 8 anos pagam metade).
Endereço : SCLN 303 , bloco E, loja 20 . Fone: (61) 3326 8001.

Veja também

Conheça as outras filiais do Martinica Café



Outras plagas, outros tempos

 

Brasília e Campo Grande | Anos 90

 

Caetano

Adriana Calcanhotto: Recital em bar sul-matogrossense


Dias atrás, inesperadas deixas me levaram a compartilhar, no Facebook, caras experiências em duas das cidades onde morei. Primeiro, citando entrevista com a cantora Adriana Calcanhotto, publicada no jornal Valor Econômico, comentei (linkando a foto acima) : 

Lembro dessa Adriana (das reminiscências sobre apresentações na noite gaúcha), ainda no esquema ‘banquinho, violão & voz’, fazendo show no Camaleão, bar de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Estávamos aí no início dos anos 1990. Nessa época, o lugar era ponto de encontro de artistas e intelectuais e tinha como diretor cultural o artista plástico Humberto Espíndola, irmão de Tetê & Alzira.

 

Caetano

Das experiências acadêmicas: Caetano Veloso nos dá entrevista sobre Torquato Neto

Depois, remexendo em arquivos para atualizar a seção de imagens de meu site, tive o impulso de publicar no Facebook a foto acima. A ideia era dividí-la com um contato meu na rede social, a cineasta Adriana Vasconcelos, que foi minha colega na Universidade de Brasília.

Fiz o registro em 1990, no quarto do Hotel Nacional em que se hospedavam Caetano (que iniciava nova turnê em Brasília) e sua mulher na época, a Paula Lavigne. O músico concordara em participar do filme que rodávamos sobre o poeta piauiense Torquato Neto. Tratava-se de trabalho final para a diciplina “O Documentário”, ministrada pelo cineasta Vladimir Carvalho. Sergio Cobelo, nosso colega na matéria, era o diretor e eu e a Adriana éramos as produtoras.


Ciceroneando

 

Muito antes de a Devassa se espalhar por aí

 

Cervejaria Devassa

Copacabana : Filial da cervejaria na esquina da Rua Bolívar com a Avenida Atlântica

Brasília, atualmente,  tem duas filiais da Devassa. São Paulo outras quatro. Mas há não muito tempo, a cervejaria carioca que abriu as portas em 2002 era nome mais sugestivo do que conhecido. Daí não terem sido raras as vezes, nos últimos anos, em que levei amigos de outros estados para conhecerem o lugar. Entre esses, duas jornalistas vindas de Brasília.

Antiga moradora da capital federal,  à paulista do interior A., que havia muito tinha o Rio em seu itinerário, levei até a filial da Prudente de Morais, depois de um jantar no Zazá Bistrô, também em Ipanema. Cerca de ano e meio depois, a poucos dias do início do verão, foi a vez de apresentar a paulistana C. à peculiaríssima carta de cervejas do lugar, em encontro marcado na Devassa da Bolivar, em Copacabana. Então recém-chegada de quase década morando no exterior, ela, que já tinha tido a curiosidade atiçada pelo nome da cervejaria, saiu dali cheia de amores por uma certa Sarará .

 

Updated :

* Crônica de Links Anunciados

Por Adriana Paiva

Havia programado outro assunto para minha segunda coluna na PicturaPixel reformulada. A entrevista, aliás, fora feita na véspera. Novas situações e o frescor de um recém-encontro me fizeram mudar de ideia.
Vou escrever hoje sobre a divertida noite de bate papo com Anamaria Rossi, sexta-feira passada, em Ipanema.
Aqui mesmo, em comentários ao texto de estreia de Anamaria, contei como esse encontro, que tinha tudo para ter ocorrido vinte anos atrás, na UnB, até a última sexta-feira, só tinha acontecido virtualmente e via PicturaPixel.
O local para o tête-à-tête já estava escolhido e reservado havia alguns dias: Zazá Bistrô Tropical. Mandei à Ana um SMS confirmando: “Zazá, sexta, 20h, varanda”.
Ligaram o local a outros personagens? Sim, trata-se daquele mesmo Zazá, em frente ao qual encontrei, casualmente, a fotógrafa Silvia Izquierdo, da Associated Press, na terça-feira de carnaval.
Chego um pouco antes de Ana. Ela já tinha me avisado que se atrasaria em função de um compromisso de trabalho que a segurara no centro da cidade mais que o previsto. Enquanto a aguardo, folheio a carta de bebidas e sem mais elaborações, peço: — Por favor, um Zazá Fresco.
Fresco. Palavra mágica. Quase sinto a brisa girando em torno de minha nuca. Frescor, leveza. Tudo pelo que essa sexta-feira quente urgia.

Quando Ana chega ao Zazá, encontra-me refestelada no sofazinho entre dois grupos de estrangeiros. “Refestelada”, bem…sou eu dando voz à minha porção adoradora de hipérboles. Eu havia, sim, terminado meu drinque, mas mantinha idêntica compostura de horas antes, quando ainda trabalhava diante deste notebook.
Rápido decidimos que não participaríamos do congraçamento multilingue com os vizinhos de mesa. Mudamos para uma das mesinhas instaladas rente à grade da varanda que dá para a rua. Sentada à minha frente, com o cardápio na mão, Ana escaneia meu rosto e larga sem rodeios: — Ah, lembro, sim, de você… da UnB.
Eu, que já tinha visto fotos suas, fico com a sensação ainda mais forte de tê-la visto, pessoalmente, antes; se não na UnB, em algum lugar em Brasília — parêntese importante: morei na cidade em cinco diferentes ocasiões, o que soma quinze anos.
Espero Ana escolher petiscos. Estou sem fome e sem inspiração para fazer opções. Ambas concordamos acerca da escolha recair sobre algo leve. Recém-chegada de temporada momesca no Nordeste, Ana, de cara, descarta a “espetada de queijo de coalho”. Apóio, aliviada. Considerando o fato de eu não comer carne – exceto peixe e alguns frutos do mar–, a escolha final atende bem às duas. Anotem para futuras incursões pela Ipanema dos bons acepipes:”Degustação de Quatro Delícias”: Samosas (mini-pastéis indianos), tartar, ceviche e tapioca.
Agora, dos deuses, dos deuses mesmo, estava a pasta de wasabi que acompanhava isso tudo. Mal iniciamos a degustação, o chef, que gentilmente nos explicara detalhes de cada uma das “delícias”, vem brindar-nos com uma cesta de crisps de batata baroa. Pronto! A companhia que faltava para a pasta dos deuses e para o meu segundo drinque (à base de carambola).
Seguimos cruzando dados do passado. E assim, desfilam pela mesa referências a várias das Brasílias que vivi naqueles quinze anos, entre idas e voltas: UnB, CO, PD (abreviaturas de cuja tradução os pouparei), corujas do cerrado, sannyasins, Ladrões de Alma, Teatro Oficina do Perdiz, Martinica Café…
E vamos, entre goles em nossos drinques, petiscos e gargalhadas, até que um estrondo vindo da esquina nos interrompe. Viramos para olhar e, bem perto dali, o que se vê é uma moto deitada no chão e o ônibus que, aparentemente, a havia derrubado, se preparando para deixar o local . Todo o desenrolar da situação se dá muito rapidamente. Percebemos que a vítima, uma jovem motociclista, é socorrida por passantes e não aparenta ter se ferido mais do que superficialmente.
Tudo bem (ou quase) e lá vamos nós, de volta ao passado. E ainda passam pela mesa Adriano Faquini, Mila Petrillo, Carlos Chagas, Sergio Dayrrell Porto…
Dali a pouco, outro alvoroço. E dessa vez, na nossa mesa ! Ana salta da cadeira e posta-se ao meu lado, falando alto: – Uma barata!
Ela repete enquanto sacode o vestido: – Uma barata andando em cima de mim!
Custo um pouco a processar o que está acontecendo até que Ana pede que eu investigue seus trajes em busca da pavorosa. Para minha sorte, mais que para a de Ana, nada encontro. Continuo de costas para a maioria dos presentes no bistrô e não me volto, para ver como reagem. Vou conseguir fazer isso, ainda aturdida e sem parar de rir, apenas quando Ana se senta novamente e, olhando na direção das três mesas repletas de estrangeiros do outro lado, diz, com uma das mãos fechadas:– Cu-ca-ra-cha!
E, mais veemente, levando as duas mãos em direção ao colo e aos ombros, como se tentasse descrever o trajeto
da intrusa:– Uma cucaracha!!
Agora, ao olhar os rostos assustados nas mesas atrás de nós, a sensação que me invade é de estar naquela sequência de “Victor ou Victoria” (de Blake Edwards), em que o casal de amigos (interpretados por Julie Andrews e Robert Preston) bola uma situação para saciar a fome sem desembolsar tostão. A ideia: introduzir no cenário de um bistrô, em Paris, um desses abomináveis insetos e fingir tê-lo encontrado na comida. Delírio, claro, de minha mente povoada por referências. Eu e Ana estávamos muito bem apresentadas. Pagamos a conta, a propósito, em espécie e essa ficou bem salgada, considerando o que consumimos (três drinques, uma água e a mini-sequência de ‘maravilhas do sétimo céu’).


Não se apressem em julgar mal o estabelecimento aqui citado. Não deixaria de ir ali por conta de um incidente como o que relato acima, totalmente alheio à condução do negócio — e que, aliás, poderia ter ocorrido em qualquer outra situação em que estivessem conjugados calor, mesa perto da rua e de árvores, etc..
Mas, não esperem muito mais nobreza de atitude de mulheres que, desde sua mais tenra infância, vem sedimentando um comportamento insano ante a visão dessas terríveis “periplanetas americanas”, nome científico — até que charmoso — das horrorosas aladas.
Assim, com a memória refrescada pelos acontecimentos recentes, decidimos deixar o Zazá e seguimos a pé até a Devassa, a quadras dali. Claro que a noite já estava ganha.

* [ Crônica publicada, originalmente, na revista Pictura Pixel ]

 

A melhor pastelaria da capital federal

 

Meus 15 anos de Brasília  x  Os 10 de São Paulo

 

Pastelaria Viçosa

Pastelaria Viçosa : Painéis com elementos do traçado arquitetônico de Brasília

Até outro dia, ainda me perguntava como pôde acontecer que eu não conhecesse uma casa com mais de quarenta anos de existência em Brasília. Eu, que vivi lá por quinze anos. Pois aconteceu.
Fui salva de minha ignorância por minha irmã que, tendo, recentemente, voltado a morar na cidade, já me levou à Pastelaria Viçosa (704/705 Norte) algumas vezes.
Ainda que você chegue ancorado em sua experiência paulistana de inigualáveis pastéis de feira, é possível que não se decepcione com o que encontrará ali. Eu não me decepcionei.

Há, além do mais, certa diversão em folhear um cardápio com tantas referências à cidade onde passei parte substancial de minha vida.

Na minha ida mais recente, em meados deste mês, pedi um “Parque da Cidade” (brócolis, palmito, ricota e tomate seco). Cheguei até a cogitar ir de “Dona Sara” (mussarela de búfala com tomate seco e orégano) ou mesmo de “UnB” (camarão temperado, com folhas de escarola regadas com azeite extra-virgem). Mas antes de minha escolha chegar à mesa, caí foi na esparrela de pedir uma de minhas combinações doces preferidas (mussarela, banana, canela e açúcar) sob o nome de “Palácio da Alvorada”. Arrependimento ao cubo. Não pelo acepipe em si, saborosíssimo em seu casamento de recheio e massa macia, mas pelo fato de que os pasteís dali são grandes e generosamente recheados. #Ficadica : se sua fome é moderada, decida-se se preferirá ir de doce ou de salgado.

* Ao calouro com amor

 

 

Esplanada dos Ministérios

Esplanada dos Ministérios: Transitando por ruas onde também eu aprendi a dirigir

Em Brasília, na semana passada, à saída do Palácio do Planalto, onde estivemos, eu e minha mãe, para ver a exposição “Mulheres, Artistas e Brasileiras“. Fomos conduzidas pelo meu sobrinho Tiago (recém-matriculado no curso de Engenharia da UnB e titular (também recente) de sua Carteira Nacional de Habilitação. Licença à qual esta sua madrinha espera que ele continue prudentemente a fazer jus..

Das inevitáveis coincidências: como meu sobrinho, também tirei minha carteira de motorista em Brasília. E foi, igualmente, nessa mesma UnB que se deu a maior parte de minha trajetória acadêmica.

* ( Post originalmente publicado em meu perfil no Facebook ).