Lições de coexistência

Da dificuldade de se manter, na vizinhança alheia,  comportamento equivalente ao que se mantém na própria

Fotos por Adriana Paiva

Nas dependências do Novo Leblon: Colégio Santo Agostinho e um segurança do condomínio fazendo a ronda. À direita, o shopping Rio Design Barra

Já comentei aqui que o Novo Leblon está na lista dos condomínios da Barra da Tijuca com mais completa infraestrutura.
Deixando de lado os benefícios exclusivos dos moradores para ater-me à parte comercial – no entorno mais próximo, três shoppings, entre os quais, o Rio Design Barra -, afirmo que é justamente nesse quesito que reside um sério senão. Algo que não ocorreria, se as pessoas tivessem noção mais apurada do que seja uma coexistência cidadã.

Para ser franca, não sei quem mais sistematicamente desrespeita as regras internas do condominio. Se as mães descontroladas, pilotando SUVs em velocidades irresponsáveis, quando vão ao Colégio Santo Agostinho levar e buscar seus filhos, ou se o pessoal que frequenta o Rio Design e larga seus veículos, inadvertidamente, pelas ruas do Novo Leblon – de modo, é claro, a não ter que desembolsar os valores, nem sempre módicos, cobrados pelo estacionamento no shopping.

barra da Tijuca

Avenida principal: Para não pagar estacionamento no Rio Design (ao fundo), visitantes costumam deixar seus carros junto a uma das áreas de lazer do condomínio

Do desrespeito à velocidade máxima permitida em área residencial ao estacionamento sobre as faixas de pedestres, fato é que, diuturnamente, observamos as infrações se multiplicarem. Daí que não seja raro também vermos um ou outro carro saindo guinchado do condomínio.
Dia desses, um utilitário (fotos abaixo), estacionado, displicentemente, entre meio-fio e rotatória, atravancando a passagem do ônibus exclusivo do Novo Leblon, escapou, por pouco, de ter essa mesma sorte. Foi preciso vir um segurança motorizado ao local e que este acionasse outros de seus colegas até encontrarem o dono do veículo.

Sabemos que todos estão sujeitos a emergências. Sabemos também que a maioria das pessoas que se permite ser tão displicente nessas horas, não o faz sem avaliar, minimamente, o ônus advindo de sua postura.
Experimente largar seu carro, desleixadamente assim, no entorno da Praça General Tibúrcio (na Praia Vermelha). Lá, os guinchos costumam entrar em ação com bem mais celeridade.

Fotos por Adriana Paiva

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A mais atípica das cariocas

 

De frente para o mar. Mas e daí?

Trocando praia e mostras de arte por filmes e livros

Oscar, Bafta e Berlinale - Rio Design Barra

Cinema do Rio Design BarraEm cartaz, nas últimas semanas, várias produções concorrentes nos festivais da temporada

Da varanda e de todas as janelas do apartamento onde moro tenho ampla vista para o mar. Passando em revista os meus “périplos”, arrisco dizer que, na maioria das cidades litorâneas onde vivi, quando não morei diante de uma praia – como em Olinda ou na Restinga da Marambaia -, residi bem perto. Nesse aspecto, não me canso de repetir, a Urca figura entre minhas mais agradáveis experiências.
Eu ainda era um bocado “praieira” quando morei lá, na adolescência. Quase insanamente, eu diria. A ponto de tomar banho de sol nos horários mais proibitivos e de ficar muito frustrada se, na segunda semana de verão, já não estivesse ostentando um bronzeado de capa de revista. Como podem ser comezinhas as prioridades de uma adolescente, não? Acho que, mais tarde, adulta, eu só consegui pegar mais leve com minha (falta de) consciência porque, foi ali, por volta dos 15, 16 anos, que eu aderi à alimentação natural, escolha que, ao contrário dos prognósticos familiares, acabaria não se revelando mais um modismo. Desde então, nunca mais voltei a comer carne.

Hoje em dia, viver perto do mar não altera em nada o fato de eu gostar cada vez menos de calor e, por conseguinte, do verão. E já não alterava quando morei em Olinda (por quase nove meses, entre 96 e 97), em uma casa na beira da praia. O calor, aliás, foi um dos motivos que me levaram a abreviar meu tempo de residência na cidade. Dentre todas onde morei, decididamente, aquela onde me senti menos adaptada. Mas é claro que, embora o componente climático tenha contado muito, ele não é suficiente para explicar minha inadequação.

Minha breve temporada nordestina

Mudamo-nos de Brasília para Olinda em julho de 1996. Quando vim embora para o Rio, minha família continuou morando lá – até a transferência de meu pai para São Paulo, em 1998. Diferentemente de mim, meus pais adoraram a experiência de morar no Nordeste. 
Que não se interprete, a partir daí, que eu não gosto da região. Conheci algumas incríveis cidades nordestinas. Na maioria das situações, claro, na condição de turista.

Hoje entendo que viver uma rotina de morador, em qualquer que seja a cidade, pode se revelar uma experiência amargamente definitiva. Daí que eu costume dizer, que, se pudesse voltar no tempo, teria preferido que minhas primeiras incursões por Olinda e Recife tivessem se dado durante o carnaval. O que certamente teria me permitido manter, em relação às duas belas cidades, algo da disposição generosa, daquele olhar encantado típico dos forasteiros.

Voltando ao calor em terras cariocas…É certo que, em função disso, tenho ido com menos frequência ao centro da cidade. Mas, no balanço de resfriados (culpa de entre-e-sai do ar-condicionado), enjoos e irritabilidade, há que se registrar os ganhos: tenho ido mais ao cinema – ao Espaço Rio Design, do lado de casa, por exemplo, eu vou a pé – e, do final de janeiro para cá, assisti a cinco das principais produções cinematográficas concorrentes nos festivais da temporada. Concomitante a isso, aproveito a estação para colocar minhas leituras em dia. Hoje comecei a ler “Cinco Esquinas”, do Mario Vargas Llosa.

Colado aos shoppings Millenium e Novo Leblon

 Ainda o Rio Design Barra: Um dos três shoppings próximos ao Novo Leblon, condomínio onde moro. Além do cinema, aí encontro uma livraria e ótimos restaurantes, cafés e sorveterias. 

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“Mobilidade e Cultura de Bicicleta no Rio de Janeiro”

Edição revista e ampliada

Bikerio Mandala - Barra da Tijuca

Sistema de bicicletas compartilhadas: Case BikeRio

Com a proposta de difundir informações relativas ao planejamento da infraestrutura cicloviária da capital fluminense (a partir da década de 1990), a Associação Transporte Ativo lançou, neste mês, em formato de livro – e em edição revista e ampliada -, monografia da consultora em gestão ambiental Gabriela Binatti, originalmente intitulada “Mais Amor Menos Motor: Cultura e Mobilidade por Bicicleta no Rio de Janeiro”.
O livro é o terceiro de uma série de publicações sobre o tema, patrocinadas pelo banco Itaú, e encontra-se disponível para download aqui: http://transporteativo.org.br/ta/?p=9155.

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Façanhas pré-natalinas

Ou: Inventaram o Papai Noel mais antipatizado do Brasil

Cães passseiam

Passeador de cães no condomínio Mandala: Vizinhança com grande número de animais de estimação

Neste que, certamente é, entre os muitos endereços onde morei, o que tem mais cães e gatos por metro quadrado, que ideia infeliz fazer de uma prévia natalina o mais estrepitoso festival de fogos de artifício já ouvido – daqui até sabe-se lá que longínquo logradouro. E o suplício parece piorar a cada ano. Como também o comprova Bob, o poodle. O pobre animal rejeitou o passeio do meio-dia e, até agora, não se animou a sair de debaixo da cama.
A bandinha desafinada, tocando temas natalinos em looping, desde muito cedo, pode-se até relevar. Não esqueço que também eu já acreditei em Papai Noel.

E, aqui, outra nota edificante:

Como de (quase) todo mal se consegue extrair algo positivo, ter sido acordada neste sábado com tamanho alarido, até que me encheu de ideias. Pensando em incluir, na minha lista de metas para 2017, uma reunião com os donos de “pets” do condomínio. Quem sabe se, unidos em nossa justificadíssima consternação, não logremos abolir uma “tradição” tão inconveniente? Pelo fim dos fogos de artifício !

 

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De como saio dos meus domínios

Ou: Pretexto para tecer loas ao metrô

Barra da Tijuca

Casas do Novo Leblon e, ao fundo, edifícios do Mandala : Ambos os condomínios dispõem de transporte exclusivo para os moradores.

Um espanto lembrar que há mais de década vendi meu carro. Para ser precisa, em 2005, quando ainda morava em Moema (São Paulo) e, àquela altura, já mal o tirava da garagem, desanimada que andava com o trânsito da cidade e com todas as implicações de ser proprietária de um automóvel.
Não abri mão por completo de dirigir, entretanto. Prova é que, ainda antes de mudar para o Rio, no final de 2009, fiz questão de renovar minha carteira de motorista – emitida em Brasília, em meados dos anos 1990 -, e, desde então, já renovei-a uma segunda vez.

Embora tenha cada vez menos vontade de dirigir, para não perder, digamos, a prática, pego de vez em quando o carro do meu pai. Mas é raro que me aventure a deixar os limites da Barra da Tijuca. Situação que talvez fosse diferente, se eu não contasse com o transporte próprio do Novo Leblon, condomínio onde moro. Os ônibus, equipados com wi-fi, ar-condicionado, poltronas reclináveis (e, em alguns casos, TV), me levam, com conforto e eficiência, a todos os locais onde preciso estar, do Leblon ao centro da cidade, bem como de volta ao condomínio.  Não dispusesse dessa comodidade, é possível que me tornasse uma usuária mais frequente do BRT. Sobretudo porque, além de ter uma estação em frente ao Novo Leblon, agora também faz ligação com a recém-inaugurada estação Jardim Oceânico do Metrô.

METRÔ. Ergo um altar a esse maravilhoso invento humano. Metrô, do que mais sentia falta quando morava em Moema. Como não pensar, além de tudo, na pequena fortuna que eu teria deixado de desperdiçar com táxi, se essa área da cidade já integrasse a malha metroviária, nos últimos anos em que residi no bairro?

Minha mãe, que voltou de São Paulo no sábado, veio puxar assunto a respeito. Tendo se hospedado na Lavandisca, rua vizinha à Tuim, onde morei entre 99 e 2005, ela comentou que, observando o tumulto ocasionado pelas obras do metrô, na Avenida Ibirapuera e no entorno, essas pareceram-lhe bastante adiantadas. E, a caminho do Congonhas, o taxista que a conduziu só fez reforçar essa sua impressão.
Comentei de volta, um tanto ceticamente, que era de se esperar. Afinal, a estação de Moema é uma das extensões da Linha 5-Lilás cujas obras, após uma série de problemas na Justiça, foram retomadas em 2011. Dado que o prazo de sua entrada em operação foi tantas vezes revisto, disse a ela que achava mais sensato ainda não comemorar. Por ora, indo a São Paulo e hospedando-me no Ibirapuera, vou me resolvendo com os meios de transporte habituais.

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Rio, 19 de março de 2016

Tchau, verão

Lamento não poder dizer que sentirei sua falta

Vizinhança no Novo Leblon

Do Instagram: Na balsa do Novo Leblon, voltando para casa depois de longa caminhada

 

Evitando confrontos desnecessários

Da série ‘Pensamentos que não quiseram calar’

À espera do momento mais apropriado para dizer àquela pessoa com quem sempre mantive diálogos cordiais, mas sem profundidade, que, se houve alguma vez em que votei no PT,  crendo, firmemente, que fazia a melhor das opções, essa  única vez  foi quando meu voto ajudou a eleger Cristovam Buarque governador do Distrito Federal.

 

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Outros ares

 

Na vizinhança

E um pouco além

 

Vizinhança no Novo Leblon

Novo Leblon - Por Adriana Paiva

Paisagens cotidianas: A certeza de que minhas longas caminhadas, entre verde e mar, trarão de volta a serenidade que, às vezes, me falta

 

Debruçada sobre novos ‘jobs” e dando início a preparativos para viagens que farei em breve, resolvi desativar, há questão de três semanas (sim, outra vez), minha conta no Facebook.
Continuo, entretanto, publicando com alguma regularidade em outras redes sociais. Algumas delas, cabe frisar, sempre funcionaram como extensões deste blog, já que ali também compartilho opiniões e imagens relacionadas ao meu dia a dia – a exemplo de meus posts no Instagram e no Foursquare / Swarm.

De algumas semanas para cá, também venho tentando retomar minha presença no Twitter, que andava um tanto negligenciado desde que, tornando-me assídua no Facebook, passei a utilizar os tais 140 caracteres com o principal intuito de replicar posts daquela e de outras redes.
O que eu não considerara encontrar, nessa minha “volta” ao microblog, é o clima de acirramento político ainda mais pesado do que na rede que celebrizou Mark Zuckerberg. Suspeitava, é claro, mas não pensara a respeito.
Outro dado importante que já me escapava é que, quanto menos espaço as pessoas disponham para expressar seus pontos de vista, ainda mais mesquinhas elas podem soar.

 

Outras do inverno carioca

 

E de um domingo que se pretendia preguiçoso

Via meu perfil no Facebook

Condomínio Novo Leblon

Vista da varanda de casa: Clube do condomínio, Lagoa de Marapendi e o mar

Agora, deste lado da cidade, temos sol, céu limpo e estupefacientes 27°C. Mais cedo, à beira-mar, eram 18°C !
O vento gélido destas manhãs ensolaradas quase sempre me lembra uma certa fase de minha infância em Brasília, época em que ainda era possível dizer que se sentia frio no inverno. Frequentemente, aquele tipo de frio energético, que entra pelas narinas espantando o sono e que, mal bate na pele, o sol logo amorna. E, hoje, que meus planos de ficar mais tempo na cama foram cedo detonados por Bob, o poodle, esse solzinho matinal veio bastante a calhar. #invernocarioca

Os sempre surpreendentes dias invernais no RJ, inspiram, a propósito, reportagem de capa da revista O Globo.


Notas Paulistanas

 

Mais uma série no Instagram

 

Ibirapuera

Tamanha a saudade da Pauliceia me bateu hoje, que resolvi reabrir os arquivos de meus agridoces (dez) anos de moradia na cidade. Inicio a série com esta feita de dentro do carro. Provavelmente a caminho de casa, em Moema. Lá fora, vestígios da chuva e o famoso Monumento às Bandeiras.

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Praça Coronel Fernandes de Lima

Com ares interioranos e nome de milico, essa praça é uma *gracinha, no coração de Moema. Gostava de incluí-la no meu trajeto de casa até o “Pé no Parque”, na Hélio Pellegrino com a Inhambu, onde, não raro, tomava café da manhã — àquela altura, um dos melhores da zona sul de SP.

 

Parque Ibirapuera

De domingos no parque. O Ibirapuera era um destino frequente, tanto na época em que morei em Moema quanto, anos mais tarde, na fase em que vivi no Campo Belo — ambos bairros vizinhos daí. E como esquecer a série “Pão Music”? Um dos primeiros shows a que assisti, tão logo me mudei para São Paulo, em 1998, foi o de Gal Costa.

 

Cow Parade

Arte ou o mais descartável entretenimento ? A polêmica fervia e mal desembarcara em São Paulo a primeira edição brasileira da #CowParade. Estávamos em 2005. No começo, foi mesmo divertido andar pela cidade e dar de cara com uma dessas multicoloridas vaquinhas. Customizada pela artista plástica Patrícia Golombek, a “Cowmen Miranda” ficava na Avenida Paulista, bem em frente ao prédio do @itaucultural.

 

Campo Belo

Outra de minha ex-vizinhança. Só que, agora, no Campo Belo. Onde mais teria-me sido possível saber que irmãs carmelitas são dadas a flanar em grupo? Certo dia, em que também saía a passeio, divisei-as subindo a Rua Princesa Isabel, do outro lado da calçada. Provavelmente, rumo ao convento, próximo daí. E o que me pareceu tão interessante quanto, uma delas carregava uma sacolinha da Kopenhagen.

 

Imã Foto Galeria

Encerro mais uma série de “notas paulistanas” com este registro de uma tarde na Imã Foto Galeria, onde participei, ao lado de outros jornalistas, de entrevista com Walter Firmo – especialmente gravada para o site do fotógrafo Claudio Versiani.

Primeiro por do sol de 2014

 

Visto da Praia do Pepê

Via escala no Facebook

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Irmãs

Na estreia do ano, trecho da Barra lotado, mas pacificamente curtido


Fechando um dia que transcorreu de maneira muitíssimo mais agradável do que os excessos da virada haviam prenunciado. Providencial, a propósito, o sinal da Net não ter dado o ar da graça, nesse trecho do Novo Leblon, até quase o final da tarde. Passei boa parte da quarta em atividades fora de casa.

Outro #prontofalei

E o alvo, mais uma vez, a Barra da Tijuca

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Cidade das Artes: Músicos homenageiam Luiz Paulo Horta

Tantos eventos interessantes rolando ultimamente. E perto, mas tão ridiculamente perto de casa (2 km + ou – ), que é o fim da picada que chegar lá a pé seja tão complicado (para não dizer…letal). Sei que esse é um meu queixume recorrente, mas se algo na Barra da Tijuca me tira do sério (afora emergentes dados a ostentar aquisições), é que este seja um bairro tão pouco amigável a quem prefira locomover-se por meios outros que não os automotivos.

No Facebok, adendos meus em debate sobre o assunto:

De O Globo, em matéria sobre o Projeto Aquarius: “Kalil lembra que a Cidade Das Artes está diretamente ligada ao Terminal Rodoviário da Alvorada, por meio de uma passagem subterrânea que facilita o acesso de todos aqueles que decidirem usar o transporte público para chegar ao concerto”. Bacana, perfeito que a população em geral tenha acesso facilitado a eventos dessa natureza. Mas, vem cá, e os moradores da Barra? Para chegar lá, continuarão a ter que tirar seus veículos da garagem (ou, quem sabe, se aventurar a uma viagem de BRTrombada)?

Aí eu comparo a Barra da Tijuca com Brasília, e os brasilienses mais bairristas ficam chateados. Estando Lucio Costa por trás de ambos os projetos arquitetônicos, fazem todo o sentido as semelhanças. Sempre gostei de andar a pé. Mesmo em Brasília, fazia-o com grande prazer. Mas, sejamos honestos, tanto lá quanto aqui, é altamente sacrificante viver sem carro.

Sim, Helena, as superquadras daí parecem-se bastante com os condomínios daqui. Inclusive no que tange a serem providas de bons centros comerciais. A questão é: e como fica quem não quer viver circunscrito à própria vizinhança ? Não é nada fácil ser pedestre ou ciclista na Barra. Aliás, você já deve ter ouvido/lido a respeito dos atropelamentos ocasionados pelo BRT.

Foto: Divulgação

 

Com a deixa de uma reportagem

 

De um Rio aquém de medíocre

 

Cidade das Artes - Barra da Tijuca, bem perto do Novo Leblon

Cidade das Artes, na Barra: Registro de um domingo de “Encontro com o Autor”

Publicado no meu perfil, no Facebook:

Dez anos de São Paulo, quinze de Brasília e outras tantas escalas por aí me dão subsídios (diária e infelizmente) para corroborar: nasci e volto a morar nesse “Rio de serviços ruins”.

Acréscimos na área de comentários:

Comparar Rio com São Paulo, Luís Antônio? Pois é, essa é uma tentação inevitável. E tem consequências, não raro, problemáticas. A gente corre o risco, por exemplo, de angariar uma penca de desafetos. Sobretudo entre os cariocas mais bairristas. A bem da verdade, acho bairrismo uma grande besteira ; jamais me estressaria pelo fato de alguém apontar aspectos negativos da cidade onde nasci ou adotei como residência.

Um exemplo bem perto de mim: A Cidade das Artes. Já não era sem tempo de aquele aparelho estar funcionando a pleno vapor. Mas não. O acesso é uma quase completa incógnita. E ainda não antevejo como aqueles que não têm carro (ciclistas, pedestres) poderão chegar ali – bem, dirão alguns, mas esse é um problema de quase toda a Barra da Tijuca (além-condomínios). Várias áreas da estrutura, como algumas das rampas, são vedadas ao acesso do visitante, e nenhum funcionário sabe dizer por quê. Pelo menos no banheiro em que entrei, deparei com água escorrendo pelas paredes e no piso. No lugar onde está a “sala de leitura” (e onde ocorre o Cidade Literária) eu esperava encontrar uma estrutura mais semelhante a uma biblioteca. Mas não. É bonitinha, tem 3 ou 4 computadores e alguns livros de arte mas, no momento, parece-se mais àqueles espaços que algumas livrarias oferecem às crianças: um cantinho charmoso com ares de brinquedoteca. Enfim, falta muito ainda para aquela gigantesca construção se parecer com um centro cultural do nível de um CCSP, de um CCBB ou de um Memorial da América Latina.

No quesito ‘gastronomia’, aqui mesmo, na Barra, outro dia fui com meus pais na Dona Olinda, delicatessen inaugurada, há poucos meses, na Praia do Pepê. Por fora, uma graça de lugar, com varanda, mesas rústicas, plantas por todo o lado e, não menos interessante, vista para o mar. Mas um passeio pelo cardápio e lá vêm as primeiras decepções. Pedi um sanduíche e queria-o em pão de forma integral. Ao que me informa o garçom, depois de muitos minutos de espera: desculpe, mas o pão integral acabou. Meu pai queria um suco da ala “nortista” do cardápio; acho que era graviola. A resposta: ‘senhor, não temos nenhum desses sucos. Apenas os tradicionais’. Para fechar o festival de surpresas ruins, o croissant de chocolate que levei para casa tinha recheio endurecido, parecendo ter sido feito muito antes da antevéspera. Enfim, mas como eu sou brasileira, mantenho-me otimista. Não devo tardar a ir de novo ali. E espero, francamente, não voltar a me decepcionar.


Outros recortes da Pauliceia

De revisitas
 

*”…O errante voyeurístico que descobre a cidade como uma paisagem de extremos voluptuosos. Adepto das alegrias da observação, connoisseur da empatia, o flâneur acha o mundo ‘pitoresco’ “

Avenida Paulista por Adriana Paiva

Rasgos de amor na São Paulo da garoa. Beijos apaixonados em plena Avenida Paulista.

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Moema Pássaros. São Paulo

De uma volta pela minha antiga vizinhança, em Moema. Flores crescendo, teimosa e harmoniosamente, para além dos domínios de edifício na Avenida Macuco, próxima à Tuim, outra rua com nome de pássaro e onde morei entre 1999 e 2005.

Susan Sontag em Sobre Fotografia, Companhia das Letras, 1983.

 

Fotos por Adriana Paiva ©


Lanchonete da Cidade

 

E quando no Rio ?

 

Lanchonete da Cidade

Unidade da rede em Moema : Decoração com elementos das décadas de 50 e 60

Outro estabelecimento surgido em Moema em época em que eu já havia me mudado de lá. E, coincidentemente, na mesma Macuco do Empório. Comecei a frequentar a  Lanchonete da Cidade  ainda na filial da Alameda Tietê. Tanto por conta da ambientação, inspirada nas décadas de 50 e 60 – projeto da dupla de arquitetas Carla Caffé e Carol Tonetti – quanto pelas preciosidades escondidas no meio de um cardápio que se esperaria destinado sobretudo a carnívoros.

No final de 2008, quando fui a São Paulo para realizar uma cirurgia, acompanhada de meus pais, achei que seria interessante levá-los para conhecer a filial de Moema. Além de ter morado com eles bem perto dali, ambos foram jovens na década de 1960, época na qual o projeto de arquitetura da rede também foi buscar inspiração.

Lanchonete da Cidade

Na filial dos Jardins, à espera dos chips de batata doce que, em 2008, já não eram mais servidos

Sem comer carne desde os 15 anos de idade, minhas pedidas na lanchonete ainda hoje variam entre o hambúrguer Quitandinha (pão preto com mix de cogumelos, legumes grelhados, especiarias, mussarela de búfala, tomate caqui, rúcula e pesto de manjericão) e a incomparável batata rústica (lamentavelmente, os chips de batata doce já não eram servidos quando estive lá em maio daquele mesmo ano). Para coroar com alguma doçura (e nenhuma culpa) a série de extrapolações minha escolha costuma recair sobre a taça Manhattan e sua combinação de sorvete de chocolate com calda de mesmo sabor, brownie e amêndoas.

Outras casas do grupo paulistano Cia. Tradicional de Comércio  já chegaram ao Rio, a exemplo da Pizzaria Bráz que aportou no Jardim Botânico em 2007 e, dois anos depois, já abria uma segunda unidade na Barra da Tijuca. E do Astor que, em 2010, inaugurava no Arpoador sua primeira filial carioca no mesmo ponto onde durante anos funcionara o Barril 1800.

E quando será a vez da Lanchonete da Cidade aterrissar em plagas cariocas? Há alguns meses é sabido que o grupo empreende buscas por pontos para o estabelecimento em bairros da zona sul.
Enquanto isso, no Facebook… um punhado de ardorosos e afoitos fãs da lanchonete já se incumbiu de criar página onde reivindica inauguração urgente da franquia carioca da rede.

 

 

Empório Moema

 

São Paulo

 

Empório Moema

Tranquilidade para um café da manhã acompanhado de telejornal

Inexistente na época em que eu morava na Rua Tuim, a duas quadras abaixo daí, o Empório Moema passou a ser destino frequente na temporada em que residi no Campo Belo.
Amplo e bem iluminado, o espaço agrega padaria, rotisseria, adega, mini-mercado de conveniência e uma lanchonete, onde são servidos de pizzas e sanduíches a refeições rápidas. Aos domingos, na área da varanda coberta, é servido buffet de café-da-manhã. Nos outros dias da semana, a
partir das 18h, esse mesmo espaço abriga um festival temático que, conforme a época do ano, pode ser de sopas ou de crepes e massas.

INFO:

Endereço: Avenida Macuco, 218 — na esquina com a Rua Canário, em Moema . Fone : 2101 4000
Horário de funcionamento: Domingo a quarta-feira, das 6h à meia-noite e de quinta a sábado, das 6h a 1h da manhã.

Obs.: (O estacionamento com manobrista é gratuito para clientes).

 

 

 

Metrô – Para a “gente diferenciada” de todos os matizes

 

 

Moema

Moema: Estação do Metrô prevista para 2015

A linha de Metrô que atenderá Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo, tem previsão de ficar pronta em 2015. As desapropriações já ocorrem há algum tempo e os tapumes já estão lá — acima, na esquina das avenidas Ibirapuera com a Rouxinol.

Quando morei em Moema, entre 1999 e 2005, teria adorado contar com essa que é uma das mais cômodas formas de locomoção dentro do perímetro urbano. Prescindindo, assim, mais frequentemente, de pegar táxis ou de tirar meu carro da garagem — veículo este que eu já mal usava em idos de 2004, dado, sobretudo, o enorme desgaste envolvido em dirigir no trânsito de SP. Lembro, a propósito, da imensa rejeição por parte dos moradores locais à construção de uma estação de Metrô naquela vizinhança, sob argumentação (obtusa) semelhante à partida de certa ala dos residentes de Higienópolis, que, em polêmica recente, alegavam que tal construção aumentaria o afluxo de pessoas de outros bairros (a tal ‘gente diferenciada’), levando as mazelas dessas para a região e, em última análise, desvalorizando as propriedades do entorno. Lamentável que pela visão estreita de uns — e com espantosa frequência — sejamos todos onerados.